Preço médio do diesel S-10 chegou a R$ 7,333 por litro em setembro, com aumento em 26 estados. Etanol também subiu, enquanto gasolina registrou a quinta queda mensal consecutiva.
O preço médio do diesel S-10 subiu 2,43% em setembro, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de queda. Segundo levantamento da ValeCard, o combustível passou de R$ 7,159 para R$ 7,333 por litro, com aumentos registrados em 26 das 27 unidades da Federação analisadas.
A alta ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e às pressões sobre a oferta internacional de petróleo e derivados. Com o avanço, o diesel retornou ao patamar médio registrado em abril de 2026.
O etanol também apresentou alta no período, enquanto a gasolina registrou leve queda, mantendo uma trajetória de cinco meses consecutivos de recuo.
De acordo com os dados da ValeCard, coletados entre 1º e 26 de setembro em mais de 25 mil postos credenciados, o diesel S-10 teve a maior variação mensal entre os três combustíveis pesquisados.
| CombustívelAgosto/2026Setembro/2026Variação | |||
| Gasolina | R$ 6,774 | R$ 6,768 | -0,09% |
| Etanol | R$ 4,275 | R$ 4,338 | +1,47% |
| Diesel S-10 | R$ 7,159 | R$ 7,333 | +2,43% |
A gasolina teve redução de R$ 0,006 por litro, enquanto o etanol avançou R$ 0,063. Já o diesel registrou aumento de R$ 0,174 por litro, consolidando a maior alta entre os combustíveis analisados.
A ValeCard atribui parte da elevação dos preços à instabilidade geopolítica no Oriente Médio, às restrições no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e aos problemas enfrentados por refinarias russas.
Esses fatores contribuíram para pressionar a oferta internacional de combustíveis e aumentaram a atenção sobre as importações necessárias para complementar o abastecimento brasileiro.
No mercado doméstico, medidas tributárias e de subvenção adotadas pelo governo buscaram reduzir a transmissão das pressões externas aos preços. Entre elas estão a redução de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, a desoneração do etanol hidratado e a manutenção da subvenção ao diesel.
Segundo Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, a combinação de petróleo mais caro, dependência de importações e menor disponibilidade internacional contribuiu para a mudança na trajetória dos preços do diesel.
O executivo também destacou que novos aumentos começaram a aparecer em alguns mercados nos últimos dias de setembro. Para outubro, a evolução dos preços dependerá de fatores como câmbio, disponibilidade dos produtos e custos de importação e distribuição.
O aumento do diesel foi praticamente generalizado no país. Das 27 unidades da Federação, apenas o Espírito Santo apresentou queda, de 0,79%, com o preço médio passando de R$ 7,320 para R$ 7,262 por litro.
O Rio Grande do Sul registrou a maior alta percentual em setembro, com avanço de 5,56%. Na sequência, aparecem Santa Catarina, com 4,51%, Amapá, com 4,18%, Goiás, com 3,82%, e Paraná, com 3,70%.
| EstadoVariação em setembro | |
| Rio Grande do Sul | +5,56% |
| Santa Catarina | +4,51% |
| Amapá | +4,18% |
| Goiás | +3,82% |
| Paraná | +3,70% |
| Tocantins | +3,49% |
| Mato Grosso | +3,44% |
| Bahia | +3,37% |
No Rio Grande do Sul, o preço médio subiu de R$ 6,368 para R$ 6,722 por litro, um aumento de R$ 0,354. Em Santa Catarina, o valor passou de R$ 6,743 para R$ 7,047, enquanto no Paraná avançou de R$ 6,913 para R$ 7,169.
Enquanto parte dos estados voltou a registrar altas após meses de queda, alguns estados da Região Norte mantiveram uma trajetória de aumento por um período mais prolongado.
Acre, Amazonas, Amapá e Roraima apresentaram elevações consecutivas no preço do diesel entre maio e setembro. Desde abril, o Amapá acumula aumento de R$ 1,616 por litro, equivalente a 24,05%, passando de R$ 6,718 para R$ 8,334.
No Acre, a alta acumulada chegou a R$ 1,490 por litro, ou 21,83%. Roraima, por sua vez, registrou aumento acumulado de 15,62% no mesmo período.
Com esse movimento, o Amapá passou a apresentar o maior preço médio do diesel S-10 do país, de R$ 8,334 por litro. No extremo oposto, o Rio Grande do Sul registrou o menor valor médio, de R$ 6,722.
A diferença entre os dois estados chegou a R$ 1,612 por litro, evidenciando as disparidades regionais nos preços dos combustíveis no Brasil.
A evolução dos preços do diesel nos próximos meses dependerá da combinação de fatores internos e externos. A cotação internacional do petróleo, o câmbio e os custos logísticos e de importação permanecem entre os principais elementos de pressão sobre o mercado brasileiro.
O comportamento observado em setembro interrompeu a sequência de quedas do diesel e recolocou o combustível no patamar de abril. A continuidade dessa tendência dependerá das condições de oferta e dos desdobramentos do cenário internacional.
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