Fabricante de anéis inteligentes suspende abertura de capital após resistência de investidores à avaliação da empresa e à estrutura de venda de ações, apesar da elevada demanda inicial.
A Oura, fabricante de anéis inteligentes voltados ao monitoramento da saúde e da atividade física, adiou sua oferta pública inicial (IPO) nesta terça-feira (29). A decisão ocorreu após potenciais investidores demonstrarem resistência à avaliação da companhia e à estrutura da operação, segundo informações divulgadas pela Bloomberg.
A empresa pretendia captar até US$ 2,2 bilhões com a oferta de 50 milhões de ações. Desse total, 13,5 milhões seriam emitidas pela própria Oura, enquanto outras 36,5 milhões seriam vendidas por acionistas existentes.
No topo da faixa de preço proposta, a companhia poderia alcançar um valor de mercado de US$ 14,1 bilhões, considerando as ações em circulação. Em uma avaliação totalmente diluída, que inclui opções e unidades de ações restritas, o valor chegaria a aproximadamente US$ 15 bilhões.
Um dos principais pontos de resistência entre os investidores foi a elevada participação de acionistas existentes na oferta. Cerca de 73% das ações previstas seriam provenientes desses investidores, e não de novas emissões da companhia.
Essa estrutura levantou questionamentos sobre o comprometimento dos acionistas vendedores com o crescimento futuro da empresa, além de reduzir a proporção dos recursos que seriam destinados diretamente à Oura.
Entre os investidores que apoiam a companhia estão os fundos Forerunner Ventures e Lifeline Ventures.
Além da composição da oferta, a avaliação pretendida também gerou dúvidas, especialmente diante do histórico de outras empresas do segmento de dispositivos de saúde e tecnologia.
O desempenho de empresas como Fitbit e Peloton após suas respectivas estreias na Bolsa também contribuiu para a cautela dos investidores.
A Fitbit, fabricante de dispositivos de monitoramento de atividades físicas, viu suas ações caírem abaixo do preço de seu IPO antes de ser adquirida pelo Google, pertencente à Alphabet, em uma operação concluída em 2021.
A Peloton, por sua vez, registrou forte valorização após sua abertura de capital, em 2019, impulsionada posteriormente pela procura por equipamentos de exercício durante a pandemia. Entretanto, suas ações recuaram nos anos seguintes e chegaram a ficar abaixo do preço inicial da oferta.
Esses exemplos foram citados entre as preocupações de potenciais investidores quanto à sustentabilidade das avaliações de empresas do setor.
Apesar das resistências, o IPO da Oura havia atraído aproximadamente quatro vezes mais pedidos do que o volume de ações disponível, conforme informações divulgadas pela Bloomberg na sexta-feira anterior.
A elevada procura inicial, entretanto, não impediu o adiamento da operação, diante das divergências sobre o preço e a estrutura da oferta.
Em comunicado, o CEO da Oura, Tom Hale, afirmou que a companhia pretende realizar uma abertura de capital que atenda aos interesses de seus funcionários e investidores.
O executivo também destacou que a empresa pode escolher o momento mais adequado para realizar a operação e que continuará concentrada nas oportunidades de crescimento do negócio.
O adiamento da oferta evidencia os desafios enfrentados pela Oura para conciliar as expectativas de avaliação de seus acionistas com as condições exigidas pelos investidores do mercado de capitais.
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