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28/09/2026

Até IPCA+11%: títulos de inflação ganham espaço entre recomendações de bancos

Agosto 19, 2026
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Com os prêmios do crédito privado mais equilibrados, especialistas voltam a enxergar oportunidades em energia elétrica e infraestrutura, mas recomendam cautela diante dos riscos de crédito e liquidez.

Os títulos de renda fixa atrelados à inflação voltaram a ganhar destaque entre as recomendações de bancos e casas de análise. Depois de uma forte abertura dos prêmios entre março e abril, as taxas oferecidas pelo crédito privado começaram a se estabilizar em maio e recuaram ao longo de junho e julho.

Com a relação entre risco e retorno considerada mais equilibrada, analistas passaram a identificar oportunidades em papéis indexados ao IPCA, principalmente em empresas de energia elétrica e concessões de infraestrutura, setores caracterizados por receitas reguladas ou contratos com correção pela inflação.

Apesar disso, a recomendação predominante é de seletividade.

O BB Investimentos avalia que a correção observada no primeiro semestre esteve mais relacionada a fatores técnicos, como resgates em fundos e maior sensibilidade dos investidores à marcação a mercado, do que a uma deterioração generalizada dos fundamentos das empresas.

Ainda assim, a instituição mantém uma postura cautelosa e prioriza emissores de maior qualidade e estruturas consideradas robustas.

Papéis chegam a pagar mais de IPCA+11%

Entre os títulos com taxas divulgadas, o maior retorno da seleção é oferecido por uma emissão da Águas do Rio 4, concessionária de saneamento ligada à Aegea.

O papel, com vencimento em setembro de 2034, apresenta remuneração indicativa de IPCA + 11,24% ao ano, segundo dados da XP referentes a 3 de agosto.

A taxa, entretanto, vem acompanhada de um risco de crédito significativamente maior. O título possui rating brA, com perspectiva negativa pela S&P, e é destinado a investidores qualificados.

Outras opções recomendadas pela XP incluem a Energisa, com vencimento em 2033 e remuneração de IPCA + 7,87%, a CPFL, com vencimento em 2035 e taxa de IPCA + 7,60%, e a Ecovias Raposo Castelo, que paga IPCA + 8,07% e vence em 2029.

A emissão da Suzano, com vencimento em 2036, aparece com taxa indicativa de IPCA + 7,51%.

Energia elétrica domina as recomendações

O setor elétrico é o principal destaque entre as indicações.

O BB Investimentos selecionou papéis da Celpe, Equatorial Goiás e Engie, todas com emissores de elevada qualidade de crédito.

O BTG Pactual também recomenda uma emissão da Equatorial Goiás, com vencimento em 2038, além de um título da Rialma, empresa do setor de transmissão de energia, com vencimento em 2048.

Na XP, além da Energisa e da CPFL, a preferência também está concentrada no setor elétrico.

A concentração reflete uma característica importante desses negócios: contratos de longo prazo e receitas reguladas podem oferecer maior previsibilidade de fluxo de caixa, algo especialmente relevante para investidores que buscam proteção contra a inflação.

Infraestrutura também aparece com força

As concessões de infraestrutura formam outro grupo importante da seleção.

Entre os papéis indicados estão emissões da Ecovias Raposo Castelo, Águas do Rio 4, Autopista Litoral Sul, MetrôRio e MRS Logística.

A lógica por trás das recomendações é semelhante à do setor elétrico: contratos de longo prazo e receitas vinculadas à prestação de serviços essenciais podem proporcionar maior previsibilidade aos investidores.

A MRS Logística, por exemplo, possui ratings máximos em duas agências de classificação de risco, enquanto Autopista Litoral Sul e MetrôRio também aparecem com classificação AAA.

Taxa maior não significa necessariamente melhor investimento

Especialistas alertam que o investidor não deve escolher um título exclusivamente pela rentabilidade oferecida.

Quanto maior o prêmio sobre o IPCA, maior pode ser também o risco assumido.

No caso da Águas do Rio 4, por exemplo, a remuneração de IPCA + 11,24% é significativamente superior à de títulos corporativos considerados mais conservadores. O retorno adicional existe justamente porque o risco de crédito também é maior.

Além do risco de inadimplência, o investidor precisa considerar a liquidez e o risco de mercado. Em uma eventual venda antecipada, o preço do título pode oscilar significativamente em função das condições de mercado e das expectativas para juros e inflação.

Tesouro IPCA+ também aparece entre as opções

Para quem prefere evitar o risco de crédito corporativo, a XP também incluiu dois títulos públicos entre suas recomendações.

O Tesouro IPCA+ 2032 com juros semestrais aparece com remuneração de IPCA + 7,65% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2035 sem juros semestrais apresenta taxa de IPCA + 7,45%.

A recomendação da XP privilegia vencimentos intermediários e uma duration próxima de seis anos, argumentando que os títulos de prazo muito longo oferecem uma remuneração menos atrativa diante do risco adicional.

A principal diferença em relação às debêntures incentivadas é tributária: os títulos públicos são submetidos à tabela regressiva do Imposto de Renda, enquanto determinados papéis de crédito privado destinados a pessoas físicas possuem isenção.

Diversificação continua sendo essencial

Mesmo diante das taxas atrativas, especialistas recomendam evitar concentração excessiva em um único emissor.

A XP sugere limitar a exposição a 5% em um único emissor e a 20% do portfólio total em crédito privado.

Também é importante lembrar que debêntures, CRIs e CRAs não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Portanto, a análise da qualidade financeira do emissor é fundamental.

Para o investidor, o cenário atual combina taxas reais ainda elevadas com oportunidades em setores considerados resilientes. Porém, a diferença entre uma boa oportunidade e uma exposição excessivamente arriscada está na análise do emissor, no prazo, na liquidez e na diversificação da carteira.

Em outras palavras: uma taxa de IPCA + 11% chama atenção, mas não deve ser analisada isoladamente.

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