Indicador do Banco Central recuou 0,6% em junho, resultado ligeiramente pior que o esperado pelo mercado, e aponta perda de ritmo da economia no segundo trimestre.
A atividade econômica brasileira apresentou nova retração em junho, reforçando os sinais de desaceleração da economia no segundo trimestre de 2026. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,6% em junho, na comparação com maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (17).
O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam uma queda mensal de 0,53%.
Apesar da retração em junho, o indicador encerrou o segundo trimestre com crescimento de 0,2%, após avançar 1,2% nos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre, o PIB oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia registrado expansão de 1,1%.
O resultado reforça a percepção de que a economia brasileira perdeu força após o desempenho mais intenso observado no início de 2026.
Entre os principais setores da economia, a agropecuária apresentou desempenho positivo em junho. A atividade avançou 1% em relação a maio e acumulou crescimento de 0,3% no segundo trimestre.
O setor tem sido um dos principais responsáveis pelo ritmo mais forte da economia no início do ano, especialmente diante dos efeitos sazonais positivos relacionados à produção agrícola.
Na indústria, porém, o cenário foi diferente. O setor registrou retração de 1,4% em junho, embora tenha acumulado crescimento de 0,5% entre abril e junho.
Já os serviços recuaram 0,5% em junho e apresentaram queda de 0,1% no segundo trimestre.
Outros indicadores divulgados pelo IBGE também apontaram comportamentos distintos entre os setores.
A produção industrial caiu 1,8% em junho, enquanto as vendas no varejo avançaram 0,5%, acima das expectativas. O volume de serviços ficou estável no mês, mas também superou algumas projeções do mercado.
Na comparação com junho de 2025, o IBC-Br apresentou crescimento de 2,4%. No acumulado de 12 meses, o indicador registra alta de 1,5%.
A desaceleração ocorre em um momento de política monetária ainda restritiva. O Banco Central reduziu recentemente a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo, mas sinalizou que continuará mantendo uma política monetária suficientemente restritiva para controlar a inflação.
Além dos efeitos defasados dos juros elevados sobre o consumo e os investimentos, o cenário externo também adiciona incertezas, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Por outro lado, um mercado de trabalho ainda resiliente e medidas de estímulo do governo continuam dando suporte ao consumo doméstico.
A pesquisa Focus mais recente do Banco Central aponta expectativa de crescimento de 1,98% do PIB em 2026. Para 2027, a projeção é de expansão de 1,50%.
O número oficial do PIB referente ao segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro. O resultado deverá mostrar com maior precisão o ritmo da economia brasileira entre abril e junho.
O desempenho do IBC-Br em junho, entretanto, reforça a avaliação de que o forte crescimento observado no início do ano perdeu intensidade ao longo do segundo trimestre.
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