Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirma que o novo modelo da OpenAI alcançou inteligência artificial geral, mas investidores seguem cautelosos.
A inteligência artificial geral (AGI), conceito que representa uma IA capaz de desempenhar tarefas cognitivas em nível comparável ao humano, pode ter chegado. Pelo menos essa é a avaliação de Jensen Huang, CEO da Nvidia.
Huang afirmou que o modelo Astra, da OpenAI, teria alcançado esse marco após ser treinado com milhares de chips de última geração da Nvidia. A declaração, porém, dividiu especialistas e investidores.
O mercado também apresentou uma reação pouco entusiasmada. Enquanto empresas mais expostas à OpenAI, como CoreWeave e SoftBank, avançaram, as ações da Nvidia recuaram cerca de 2%. Para analistas, o movimento pode indicar que os investidores ainda não consideram comprovada a chegada da AGI — ou que seus possíveis efeitos já estão incorporados nos preços.
Não existe uma definição única para inteligência artificial geral. Uma das mais utilizadas considera uma IA capaz de igualar ou superar a versatilidade cognitiva de um adulto bem instruído em diferentes tarefas.
O economista Basil Halperin, da Universidade da Virgínia, questiona se os modelos atuais já chegaram a esse nível. Em um teste realizado por ele, o GPT-5.6 conseguiu executar uma tarefa complexa, mas exigiu horas de supervisão humana.
Para os críticos, esse tipo de dependência ainda representa uma diferença importante em relação a uma inteligência verdadeiramente geral.
Uma AGI mais avançada poderia aumentar a demanda por computação e, consequentemente, beneficiar fabricantes de chips e empresas de infraestrutura. Entretanto, o impacto sobre as ações não é necessariamente automático.
A Nvidia já apresenta resultados extraordinários. A companhia registrou US$ 96 bilhões em receita, crescimento de 106% em relação ao ano anterior, e projetou faturamento de US$ 108 bilhões para o trimestre seguinte.
O tamanho e as expectativas elevadas da empresa fazem com que investidores questionem se o ritmo de crescimento poderá continuar.
Além disso, uma eventual aceleração significativa da economia provocada pela IA poderia elevar os juros reais, o que, paradoxalmente, poderia pressionar as avaliações das ações ao reduzir o valor presente dos lucros futuros.
Para Halperin, o mercado parece considerar um cenário mais moderado para a inteligência artificial. Pesquisas citadas pelo economista indicam expectativa de que a IA acrescente aproximadamente 0,5 ponto percentual ao crescimento do PIB.
A projeção para os próximos anos seria semelhante ao boom da internet nos anos 1990, mas em ritmo mais acelerado.
Assim, apesar do entusiasmo de executivos do setor, o comportamento dos mercados sugere que os investidores ainda não estão precificando uma transformação econômica radical provocada pela AGI.
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