Autoridades japonesas reforçam monitoramento do câmbio e admitem novas altas de juros caso a inflação continue ganhando força. Movimento pode aumentar a volatilidade nos mercados globais.
As autoridades financeiras do Japão elevaram o tom de atenção sobre o comportamento do iene, diante do risco de que a moeda enfraquecida aumente a pressão inflacionária no país. O governo japonês afirmou que continuará monitorando de perto o mercado de câmbio e destacou que a estabilidade cambial é importante não apenas para a economia doméstica, mas também para os mercados globais.
A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou que uma eventual intervenção coordenada no mercado de câmbio pode contribuir para a estabilidade das economias globais. Segundo ela, durante uma reunião de autoridades financeiras do G20, foram apresentadas explicações sobre as medidas adotadas pelo Japão em conjunto com os Estados Unidos, sem manifestação de discordância por parte dos demais participantes.
O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, afirmou que os indicadores econômicos recentes continuam compatíveis com as projeções da instituição. Ele também reiterou que novas altas de juros poderão ocorrer dependendo da evolução da economia, dos preços e das condições financeiras.
O cenário ganhou importância porque a inflação subjacente japonesa está próxima da meta de 2% do banco central. Com isso, um iene mais fraco pode representar um risco adicional, principalmente devido à forte dependência do Japão das importações de energia e alimentos.
O integrante do conselho de política monetária do BoJ, Hajime Takata, defendeu uma abordagem mais flexível para os próximos aumentos de juros.
Segundo Takata, o Japão passa por uma espécie de “mudança de regime”, na qual as decisões sobre juros não devem seguir um calendário fixo, mas responder aos dados econômicos e às condições externas.
Takata havia defendido uma elevação da taxa básica para 1,25% na reunião de julho, mas a proposta foi rejeitada por 8 votos a 1. A taxa permaneceu em 1%, nível mantido desde junho.
Para o dirigente, o avanço da inflação exige que os juros caminhem para um nível considerado neutro — suficientemente alto para evitar que os preços continuem acelerando, mas sem provocar uma restrição excessiva da atividade econômica.
O comportamento do iene pode ganhar ainda mais importância para os investidores globais. Uma moeda japonesa mais fraca aumenta o risco inflacionário e pode pressionar o BoJ a acelerar o processo de aperto monetário.
Para os mercados, isso pode significar:
O mercado agora deve acompanhar principalmente a evolução do iene, os próximos indicadores de inflação e os sinais dados pelo BoJ sobre o ritmo dos futuros aumentos de juros.
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