O governo do Irã afirmou que não há negociações em andamento com os Estados Unidos, contrariando declarações do presidente Donald Trump, que justificou o cancelamento de uma ofensiva militar alegando a existência de conversas diplomáticas.
O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (3) que não existem negociações em andamento com os Estados Unidos e que nenhuma reunião entre representantes dos dois países está prevista para os próximos dias. A declaração contradiz o presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou ter suspendido uma ofensiva militar contra o país em razão de novas conversas diplomáticas.
Segundo Trump, os diálogos começariam ainda nesta segunda-feira, justificando sua decisão de cancelar o que chamou de \ataques em grande escala\ contra o território iraniano.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou a existência de qualquer negociação com Washington.
De acordo com Baghaei, o governo iraniano não pretende receber delegações estrangeiras nem enviar representantes ao exterior para discutir o conflito com os Estados Unidos.
O porta-voz informou ainda que todos os negociadores iranianos permanecem no país, com exceção do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, que está em uma peregrinação religiosa no Iraque.
Segundo o governo iraniano, as únicas conversas em andamento envolvem Omã e tratam exclusivamente da administração do Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Uma fonte iraniana de alto escalão também confirmou à Reuters que nenhuma negociação com os Estados Unidos está prevista e que Araqchi permanecerá indisponível ao menos até o fim da semana.
A sequência de acontecimentos reforça um padrão observado desde o início da chamada \Operação Fúria Épica\, lançada pelos Estados Unidos em conjunto com Israel há mais de cinco meses.
Nesse período, Trump anunciou diversas vezes a possibilidade de ações militares contra o Irã, mas acabou suspendendo as ofensivas pouco antes de sua execução, alegando avanços diplomáticos.
Por outro lado, Teerã mantém a posição de que não negocia diretamente com Washington desde o fracasso do memorando firmado em junho, que buscava encerrar o conflito e perdeu validade no início de julho.
O controle do Estreito de Ormuz continua sendo o principal foco das divergências entre os dois países.
Os Estados Unidos defendem que o acordo discutido anteriormente previa a abertura da passagem marítima, considerada uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
Já o governo iraniano afirma que o memorando preservava sua autoridade sobre a região, mantendo o controle sobre o tráfego marítimo.
A indefinição em torno da via estratégica mantém elevada a preocupação dos mercados internacionais, uma vez que qualquer interrupção no fluxo de petróleo pode provocar impactos significativos sobre os preços da energia e da inflação global.
Apesar das declarações conflitantes, os contratos internacionais do petróleo registravam forte queda nesta segunda-feira.
O Brent recuava cerca de 5%, enquanto o WTI também apresentava perdas expressivas, refletindo a percepção dos investidores de uma redução imediata do risco de uma escalada militar na região.
Ainda assim, analistas avaliam que o cenário permanece sensível, e novas declarações de autoridades dos Estados Unidos ou do Irã poderão provocar forte volatilidade nos mercados ao longo da semana.
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