Inadimplência no crédito livre sobe de 6,4% para 6,6% em agosto, enquanto juros bancários chegam a 48,5% ao ano, segundo o Banco Central.
A inadimplência nas operações de crédito com recursos livres no Brasil atingiu 6,6% em agosto, renovando o recorde da série histórica iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central (BC) e mostram uma elevação em relação aos 6,4% registrados em julho.
O avanço ocorre em um cenário de juros elevados e desaceleração nas concessões de crédito. Em agosto, as novas operações de empréstimos no país recuaram 0,2% em comparação com o mês anterior, enquanto o estoque total de crédito avançou 0,5%, alcançando R$ 7,4 trilhões.
Juros do crédito livre chegam a 48,5% ao ano
As taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras nas operações com recursos livres subiram para 48,5% ao ano em agosto, um aumento de 0,8 ponto percentual em relação a julho.
Nesse segmento, as condições dos empréstimos são negociadas diretamente entre bancos e clientes, abrangendo modalidades como crédito pessoal e financiamentos sem direcionamento obrigatório.
O spread bancário, diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e os juros cobrados dos tomadores, também avançou. Em agosto, o indicador chegou a 34,7 pontos percentuais, ante 33,8 pontos no mês anterior.
Concessões de crédito apresentam resultados distintos
As concessões de empréstimos com recursos livres recuaram 0,4% em agosto, na comparação mensal. Já as operações com recursos direcionados, que seguem parâmetros estabelecidos pelo governo, registraram crescimento de 1,8% no período.
No crédito direcionado, os juros apresentaram redução de 0,4 ponto percentual, chegando a 11,7% ao ano.
Estoque de crédito alcança R$ 7,4 trilhões
Apesar da redução nas concessões mensais, o estoque total de crédito no Brasil cresceu 0,5% em agosto, atingindo R$ 7,4 trilhões.
Os dados do Banco Central mostram um cenário de aumento da inadimplência acompanhado de taxas elevadas nas operações de crédito livre. A evolução desses indicadores permanece relevante para acompanhar as condições de financiamento das famílias e das empresas e o comportamento do sistema financeiro brasileiro.
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