Analistas avaliam que um forte ganho de produtividade com inteligência artificial poderia melhorar a relação dívida/PIB, mas não eliminaria a necessidade de ajustes fiscais.
A inteligência artificial pode contribuir para melhorar as contas públicas dos Estados Unidos no longo prazo, mas dificilmente será suficiente para solucionar, sozinha, o problema da dívida federal americana.
Essa é a avaliação dos analistas Tobin Marcus e Chutong Zhu, do Wolfe Research, em relatório enviado a clientes.
Segundo os especialistas, a parte mais longa da curva de juros dos títulos do Tesouro americano vem enfrentando pressão de alta, o que aumenta o custo de financiamento do governo e pode elevar significativamente as despesas líquidas com juros.
Nesse cenário, um forte e sustentado aumento da produtividade proporcionado pela inteligência artificial seria um dos poucos fatores capazes de melhorar de maneira relevante a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB).
A lógica apresentada pelos analistas é relativamente simples: caso a inteligência artificial provoque um grande salto de produtividade, a economia americana poderia crescer mais rapidamente.
Com um PIB maior, o peso relativo da dívida sobre a economia poderia diminuir, mesmo sem uma redução proporcional do estoque de dívida.
No entanto, o Wolfe Research ressalta que essa possibilidade ainda é incerta.
Embora exista otimismo em relação ao impacto da IA sobre o futuro do trabalho e da produtividade, os analistas consideram especulativa, neste momento, a hipótese de que a tecnologia provoque um salto suficientemente grande para alterar de forma estrutural as contas públicas americanas.
Estudos recentes apontam potencial para que a inteligência artificial aumente a produtividade e, consequentemente, melhore a arrecadação e as finanças do governo.
O problema é que os ganhos observados até agora ainda não demonstram uma transformação ampla da eficiência das empresas.
Segundo os analistas, parte relevante do aumento da produção de trabalho está relacionada ao uso mais intenso de ferramentas e máquinas já existentes, e não necessariamente a ganhos estruturais de eficiência provocados pela IA.
Mesmo em cenários considerados otimistas, estudos citados pelo Wolfe Research indicam que um eventual boom de produtividade não seria suficiente, por si só, para resolver o problema de sustentabilidade da dívida americana.
Enquanto os possíveis benefícios da IA permanecem incertos, o aumento dos rendimentos dos títulos americanos já produz efeitos concretos sobre as contas públicas.
Quanto maior o custo de financiamento do governo, maior tende a ser a despesa com juros da dívida.
O rendimento do Treasury de 10 anos avançou 0,84%, para 46,99 pontos, segundo os dados apresentados na análise.
Esse ambiente dificulta a estabilização da relação entre dívida pública e PIB e aumenta a pressão por medidas fiscais estruturais.
Para o Wolfe Research, mesmo que a inteligência artificial gere ganhos expressivos de produtividade, Washington ainda precisaria enfrentar o desequilíbrio entre receitas e despesas.
Os analistas afirmam que os ganhos fiscais decorrentes de um crescimento econômico mais acelerado poderiam reduzir a necessidade de medidas de consolidação fiscal, mas não eliminá-la.
Na prática, isso significa que cortes de gastos e/ou aumento de receitas continuariam sendo necessários para enfrentar o problema estrutural das contas públicas.
Os analistas não esperam uma grande mudança na política fiscal americana no curto prazo.
A previsão é de que o déficit orçamentário possa recuar marginalmente no próximo ano, em parte devido ao encerramento de efeitos pontuais relacionados às tarifas.
Ainda assim, o déficit poderia permanecer próximo de 6% do PIB, um nível considerado elevado.
O cenário político também adiciona incerteza às perspectivas fiscais.
Segundo o relatório, uma eventual divisão do governo em 2027 poderia aumentar a paralisia política e dificultar a aprovação de mudanças estruturais no orçamento.
A inteligência artificial representa, portanto, uma possível fonte de crescimento para a economia americana, mas seus efeitos sobre a dívida pública ainda dependem de ganhos de produtividade que precisam ser comprovados em escala.
Um aumento sustentado da produtividade poderia elevar o crescimento econômico, ampliar a arrecadação e reduzir o peso relativo da dívida.
Mas, diante do elevado déficit e do custo crescente dos juros, os analistas do Wolfe Research consideram que os Estados Unidos não deveriam depender exclusivamente da IA para solucionar seus desafios fiscais.
A tecnologia pode ajudar a melhorar a equação. Resolver a dívida, porém, ainda exigiri
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