Os Fiagros seguem atraindo investidores com rendimentos mensais de até 1,5% isentos de Imposto de Renda, enquanto o mercado exige maior seletividade diante do aumento da inadimplência no agronegócio.
Os Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais (Fiagros) continuam ganhando espaço entre os investidores, mesmo após episódios recentes de inadimplência que elevaram a percepção de risco no setor. Segundo dados da Anbima, a captação desses fundos alcançou R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 288% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do avanço, o mercado passou a adotar uma postura mais criteriosa após a forte queda nas cotas do Valora CRA (VGIA11), desencadeada pelo atraso no pagamento de juros de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) por um dos devedores do fundo.
Especialistas avaliam que os Fiagros seguem oferecendo retornos competitivos, com distribuições mensais entre 1% e 1,5%, além da vantagem da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas em determinadas condições. No entanto, destacam que a escolha dos fundos deve considerar fatores como qualidade da gestão, diversificação da carteira, garantias e perfil dos tomadores de crédito.
A expectativa para o segundo semestre é de retomada gradual das emissões, impulsionada por estruturas mais conservadoras e exigências maiores dos investidores por transparência e mecanismos de proteção. O fortalecimento da governança e o monitoramento contínuo das operações são apontados como fatores essenciais para sustentar o crescimento do mercado de Fiagros.
Com o crédito bancário ao agronegócio mais restrito, especialistas acreditam que os Fiagros continuarão desempenhando papel relevante no financiamento do setor, desde que conciliem rentabilidade com uma gestão eficiente dos riscos.
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