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28/09/2026

Estudo propõe rastreabilidade unificada para ampliar exportações de soja e carne do Brasil

Julho 28, 2026
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Pesquisa do WRI Brasil defende um protocolo nacional de rastreabilidade para fortalecer as exportações brasileiras de soja e carne e atender às exigências de mercados como China e União Europeia.

A criação de um protocolo nacional unificado de rastreabilidade pode ampliar a competitividade das exportações brasileiras de soja e carne bovina e facilitar o acesso a mercados cada vez mais exigentes, como China e União Europeia. A conclusão é de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que defende a integração dos sistemas de monitoramento socioambiental já existentes no país.

Segundo a pesquisa, o Brasil, maior exportador mundial de soja e carne bovina, e a China, principal destino desses produtos, têm potencial para liderar a criação de um novo padrão internacional de rastreabilidade voltado a cadeias produtivas livres de desmatamento.

Em 2024, soja e carne bovina responderam por aproximadamente 60% do valor das exportações agropecuárias brasileiras, reforçando a importância estratégica de mecanismos que aumentem a confiança dos compradores internacionais.

Exigências do mercado internacional

O estudo destaca que governos, instituições financeiras e grandes compradores passaram a exigir garantias de que produtos agrícolas não estejam associados ao desmatamento ou a irregularidades ambientais.

Nesse cenário, a rastreabilidade deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a representar um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro.

Os pesquisadores analisaram 21 iniciativas de monitoramento utilizadas atualmente nas cadeias da soja e da carne bovina, incluindo certificações, plataformas públicas, protocolos privados e acordos voluntários.

Embora o Brasil possua sistemas considerados avançados, a pesquisa conclui que eles operam de forma fragmentada, utilizando critérios distintos para monitoramento de propriedades, datas de corte do desmatamento e verificação de fornecedores, o que dificulta a avaliação por parte dos importadores.

Protocolo nacional integrado

A principal recomendação do estudo é a criação de um protocolo nacional capaz de harmonizar essas iniciativas, promovendo maior integração entre bancos de dados, simplificação das auditorias e aumento da transparência das cadeias produtivas.

Segundo o WRI Brasil, a proposta não exige novas leis ambientais, mas sim uma melhor coordenação dos mecanismos de fiscalização e monitoramento já existentes.

Desafios na cadeia da soja

Para a cadeia da soja, os pesquisadores defendem ampliar a rastreabilidade até a fazenda de origem, por meio da integração entre tradings, cooperativas e plataformas estaduais de monitoramento.

Outra sugestão é a implementação de mecanismos automáticos para bloquear fornecedores que descumpram critérios socioambientais.

O estudo também aponta que plataformas públicas, como o SeloVerde, já conseguem integrar informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), alertas de desmatamento, embargos ambientais e registros de infrações, oferecendo maior segurança aos compradores.

Monitoramento da pecuária

Na cadeia da carne bovina, o principal desafio identificado é o controle dos chamados fornecedores indiretos, etapa considerada essencial para impedir que animais oriundos de áreas irregulares ingressem na cadeia formal.

Entre as recomendações estão o fortalecimento do uso das Guias de Trânsito Animal (GTAs) e o avanço da identificação individual dos bovinos, permitindo acompanhar toda a movimentação dos animais ao longo da cadeia produtiva.

O levantamento também destaca que plataformas públicas desenvolvidas por estados como Pará, Minas Gerais e Maranhão já conseguem cruzar dados do CAR, GTAs, embargos ambientais e alertas de desmatamento para identificar possíveis irregularidades.

Cooperação entre Brasil e China

Ao final, o WRI Brasil defende que Brasil e China aprofundem a cooperação em três áreas prioritárias: criação de um protocolo comum de rastreabilidade, integração das bases de dados e fortalecimento do monitoramento socioambiental.

Na avaliação da entidade, essa estratégia pode consolidar um novo padrão internacional para o comércio de soja e carne bovina, preservando a competitividade do agronegócio brasileiro e ampliando o acesso aos principais mercados globais.

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