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28/09/2026

Café brasileiro tem florada precoce e nova safra pode chegar mais cedo

Setembro 21, 2026
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Florada do café arábica ocorreu cerca de um mês antes do habitual, sinalizando possibilidade de antecipação da safra de 2027, mas clima úmido aumenta riscos de doenças e maturação desigual.

As lavouras de café arábica do Brasil apresentaram uma florada antecipada e considerada positiva para a próxima safra, aumentando a possibilidade de que a colheita de 2027 comece mais cedo.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. Segundo especialistas consultados pela Reuters, a primeira grande florada para a safra de 2027 ocorreu aproximadamente um mês antes do período considerado habitual.

A antecipação teria relação com o nível elevado de umidade observado nas regiões produtoras. O fenômeno climático El Niño também é apontado como um dos fatores associados às condições atípicas.

Safra pode começar em maio

A florada é uma etapa importante do ciclo do café porque determina parte da quantidade de frutos que será produzida.

Com a antecipação observada em setembro, especialistas avaliam que algumas áreas de café arábica podem começar a ser colhidas por volta de maio de 2027.

“De modo geral, podemos considerar essa antecipação de colheita, devido à florada estar mais precoce”, afirmou Lucas Ubiali, engenheiro agrônomo que acompanha propriedades na região da Alta Mogiana.

Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis, a antecipação pode aumentar a disponibilidade de café no mercado mais cedo no próximo ano.

Maturação desigual preocupa produtores

Apesar do cenário positivo em relação à florada, os produtores também enfrentam um possível problema de uniformidade.

Algumas lavouras registraram floradas menos intensas em agosto, enquanto uma nova florada mais expressiva ocorreu em setembro. A diferença entre os períodos pode resultar em frutos em diferentes estágios de desenvolvimento durante a colheita.

Segundo especialistas, isso pode tornar o processo de colheita e separação dos lotes mais complexo.

Luiz Eduardo Vilela de Rezende, vice-presidente do Conselho de Administração da Cocatrel, afirmou que diferentes floradas são situações conhecidas pelos produtores e podem ser administradas com manejo adequado.

Chuvas alteram ciclo tradicional

Adriano Rabelo, coordenador técnico da cooperativa Minasul, destacou que o ano foi marcado pela ausência de um período seco prolongado, que normalmente contribui para uniformizar as floradas.

As chuvas também ocorreram durante boa parte do período de colheita, contribuindo para o desenvolvimento da florada observada em setembro.

Normalmente, a principal florada ocorre em outubro. Neste ano, entretanto, algumas regiões registraram uma antecipação significativa.

Cerrado Mineiro também registra florada

No Cerrado Mineiro, uma das principais regiões produtoras do país, a abertura de uma nova florada também foi considerada expressiva em diversas áreas.

A Expocacer, cooperativa de cafeicultores da região, recomendou que os produtores ajustem o planejamento agronômico diante da antecipação do ciclo.

Entre as medidas estão a adequação dos manejos de proteção antes e depois da florada, levando em consideração as condições climáticas de cada região e propriedade.

Umidade aumenta risco de doenças

A maior quantidade de umidade também traz desafios para as lavouras.

Segundo o agrônomo Jonas Ferraresso, que presta assistência técnica a produtores em São Paulo e Minas Gerais, houve aumento na incidência de doenças bacterianas e fúngicas neste ano.

Períodos secos normalmente ajudam a reduzir a ocorrência dessas doenças. Caso o clima permaneça úmido, existe possibilidade de que os problemas continuem afetando as lavouras durante o próximo ciclo.

Café entra em ano de baixa no ciclo bienal

Outro ponto de atenção é o ciclo bienal de produção do café arábica.

O Brasil registrou uma safra recorde em 2026. Como as plantas normalmente sofrem maior estresse depois de uma produção elevada, a safra seguinte tende a apresentar menor produtividade.

Assim, mesmo com uma florada antecipada e considerada positiva em várias regiões, ainda existem fatores que podem afetar o volume e a qualidade da produção de 2027.

El Niño permanece no radar

As condições climáticas continuarão sendo determinantes para a próxima safra.

Além da umidade e das doenças, temperaturas extremas durante o verão brasileiro podem representar um risco adicional para o desenvolvimento dos frutos.

Por isso, o comportamento do clima nos próximos meses será fundamental para determinar se a antecipação da florada realmente resultará em uma colheita mais cedo e qual será o potencial produtivo da safra de café de 2027.

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