Criptomoeda acumula alta de cerca de 25% na semana, impulsionada pelo aumento das recompras de Treasuries, entrada de capital nos ETFs e forte liquidação de posições vendidas
O Bitcoin voltou a disparar nesta sexta-feira (21), avançando mais de 8% e sendo negociado próximo de US$ 78.500 nas primeiras horas do dia. Com o movimento, a criptomoeda acumula valorização de aproximadamente 25% na semana, caminhando para registrar seu melhor desempenho semanal desde março de 2023.
A forte recuperação ganhou força após o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que pretende pelo menos dobrar o volume das recompras de títulos públicos de longo prazo. A medida provocou queda inicial nos rendimentos dos Treasuries e aumentou o apetite dos investidores por ativos de maior risco.
O movimento também desencadeou um forte short squeeze, com bilhões de dólares em posições vendidas sendo liquidadas no mercado de futuros de Bitcoin.
Segundo dados da Coinglass, mais de US$ 2 bilhões em posições baixistas com Bitcoin foram liquidados desde 19 de agosto.
Outro fator que contribuiu para a recuperação foi a retomada do fluxo institucional.
Os 13 ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos caminham para registrar sua melhor semana de captações desde janeiro. Até agora, os produtos já acumulam mais de US$ 1 bilhão em entradas na semana.
O movimento indica que investidores institucionais voltaram a aumentar a exposição ao mercado de criptomoedas depois de um período de forte pressão vendedora.
Além disso, grandes detentores de Bitcoin, conhecidas como “baleias”, também aumentaram suas posições. Segundo dados da CryptoQuant, esses investidores adicionaram aproximadamente US$ 2,75 bilhões em Bitcoin nos últimos 60 dias.
O ambiente positivo também foi reforçado por uma reunião entre Donald Trump e representantes da indústria de criptomoedas.
O encontro contou com executivos de empresas do setor e foi interpretado pelo mercado como mais um sinal de apoio do governo americano às criptomoedas.
Trump também pressionou o Senado pela aprovação do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras para o funcionamento do mercado de criptoativos nos Estados Unidos.
A proposta, porém, continua enfrentando divergências e não foi votada antes do recesso de agosto do Senado.
Apesar da forte recuperação desta semana, o Bitcoin ainda permanece significativamente abaixo de sua máxima histórica.
A criptomoeda chegou a superar US$ 126 mil em outubro do ano passado, antes de iniciar uma forte correção que levou o preço para cerca de US$ 58.642 no fim de junho.
A atual recuperação, portanto, representa uma tentativa importante de reconstrução da tendência positiva, mas ainda não elimina a elevada volatilidade característica do mercado.
Analistas destacam que os fatores macroeconômicos continuam sendo fundamentais para determinar os próximos movimentos do Bitcoin. A redução dos juros longos nos Estados Unidos pode favorecer ativos de risco, mas mudanças nas expectativas de inflação, política monetária e liquidez global continuam representando riscos.
Apesar da forte valorização do Bitcoin, alguns analistas apontam que o comportamento do ouro pode oferecer uma leitura mais clara sobre a percepção de risco dos investidores.
O metal precioso também avançou após o anúncio do Tesouro americano, mas sem depender de um movimento de liquidações forçadas semelhante ao observado no mercado de Bitcoin.
Para os investidores, isso reforça a diferença entre uma alta sustentada por fundamentos macroeconômicos e uma valorização potencializada por fatores técnicos, como o fechamento de posições vendidas.
O Bitcoin entra no fim da semana com forte impulso, sustentado por fluxos positivos nos ETFs, compras de grandes investidores, apoio político nos Estados Unidos e liquidação de posições vendidas.
Ao mesmo tempo, a criptomoeda continua distante de seu recorde histórico e permanece exposta à volatilidade dos mercados globais.
O comportamento dos juros americanos, os próximos passos do Tesouro dos EUA e a evolução da regulamentação de criptomoedas serão determinantes para avaliar se a atual recuperação pode se transformar em uma tendência mais duradoura.
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