Dylan Taylor, CEO da Voyager Technologies, acredita que uma base lunar poderá receber trabalhadores e empresas no início da próxima década, impulsionada pela expansão da economia espacial.
A possibilidade de seres humanos viverem e trabalharem na Lua pode deixar de ser apenas uma visão de ficção científica e se tornar realidade já na próxima década. Essa é a previsão de Dylan Taylor, fundador e CEO da Voyager Technologies, empresa que atua no setor espacial e mantém contratos com a NASA.
Em entrevista à Fortune, Taylor afirmou que uma base lunar poderá estar funcionando no início dos anos 2030, com pessoas vivendo e trabalhando permanentemente no satélite natural da Terra.
Segundo o executivo, a expansão da atividade espacial deverá criar novas oportunidades profissionais, envolvendo desde construção e geração de energia até mineração de recursos e infraestrutura tecnológica.
Taylor acredita que a próxima grande etapa da exploração espacial será a construção de uma infraestrutura permanente na Lua.
Atualmente, seres humanos já trabalham no espaço por meio da Estação Espacial Internacional (ISS), que mantém presença humana contínua há décadas. A diferença, segundo ele, será ampliar esse cenário para além de astronautas altamente treinados.
A expectativa é que trabalhadores de diferentes áreas possam participar da construção e operação de instalações lunares.
Entre as atividades citadas pelo executivo estão mineração de recursos, construção de redes de energia e instalação de centros de dados em órbita.
O avanço dos robôs humanoides não deverá eliminar completamente a necessidade de trabalhadores humanos no espaço, na avaliação de Taylor.
Ele citou como exemplo o Optimus, robô desenvolvido pela Tesla, argumentando que sistemas automatizados ainda enfrentarão dificuldades para solucionar todos os problemas encontrados em ambientes extremos como a superfície lunar.
Para o executivo, a presença humana continuará sendo necessária para lidar com situações inesperadas e tomar decisões diretamente no local.
Embora veja a Lua como o próximo destino da expansão humana no espaço, Taylor considera Marte um desafio muito maior.
A distância, a exposição à radiação e as dificuldades logísticas tornam a colonização do planeta vermelho significativamente mais complexa.
Na visão do executivo, uma eventual presença humana permanente em Marte estaria relacionada principalmente à criação de uma espécie de plano de contingência para a humanidade.
Taylor concorda com a ideia de que a civilização deveria buscar alternativas caso uma grande catástrofe atingisse a Terra. Porém, ressalta que a Lua não seria suficiente para esse objetivo, já que Terra e Lua pertencem ao mesmo sistema planetário.
Taylor deixou o mercado tradicional para se dedicar à exploração espacial. Em 2007, tornou-se investidor-anjo da Space Adventures e, posteriormente, participou de investimentos em empresas do setor.
Em 2017, fundou a Space for Humanity, organização voltada à ampliação do acesso aos voos espaciais comerciais.
Dois anos depois, criou a Voyager Technologies. Em 2025, a empresa abriu capital na Bolsa de Nova York e alcançou uma avaliação de aproximadamente US$ 3,8 bilhões, tornando Taylor bilionário aos 53 anos.
A companhia atualmente participa da construção de uma sucessora da Estação Espacial Internacional e possui contratos com a NASA.
Taylor também já esteve no espaço. Em 2021, participou de um voo da Blue Origin.
A visão de Taylor acompanha previsões feitas por outros importantes empresários do setor de tecnologia.
Elon Musk, fundador da SpaceX, defende há anos a expansão da presença humana em Marte e já projetou missões tripuladas ao planeta para o fim desta década. Algumas previsões anteriores do empresário, entretanto, não se concretizaram nos prazos inicialmente anunciados.
Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, também prevê uma expansão significativa da presença humana no espaço. O empresário já afirmou que milhões de pessoas poderão viver fora da Terra no futuro e defende o uso de robôs para realizar atividades na Lua.
Sam Altman, CEO da OpenAI, também acredita que a expansão da economia espacial poderá criar profissões que atualmente nem existem. Segundo ele, jovens que estão entrando no mercado de trabalho poderão encontrar oportunidades espaciais altamente especializadas e remuneradas.
As previsões dos executivos apontam para uma possível transformação do setor espacial em uma nova fronteira econômica.
Além de exploração científica, atividades como mineração, energia, construção, telecomunicações, processamento de dados e logística podem formar uma cadeia econômica própria fora da Terra.
Ainda assim, a construção de bases permanentes na Lua e uma eventual colonização de Marte dependem de avanços tecnológicos, redução de custos, infraestrutura, segurança e investimentos de longo prazo.
Por enquanto, a previsão de trabalhadores vivendo na Lua nos anos 2030 permanece como uma projeção de empresários e executivos do setor espacial, mas sinaliza a crescente expectativa de que a economia espacial deixe de ser restrita a missões governamentais e passe a envolver empresas e trabalhadores de diferentes áreas.
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