Bolsa europeia recuou 0,69%, pressionada pela alta dos rendimentos dos títulos, preocupações com a inflação e novas incertezas sobre o conflito entre EUA e Irã
O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou a sessão desta terça-feira (18) em queda de 0,69%, aos 651,90 pontos, atingindo o menor nível em mais de duas semanas. O movimento refletiu a combinação de rendimentos mais elevados dos títulos, novas preocupações com a inflação e o aumento da incerteza geopolítica no Oriente Médio.
A pressão sobre os mercados aumentou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negar que estejam ocorrendo negociações com o Irã. A declaração elevou as preocupações dos investidores sobre a evolução das tensões na região e seus possíveis impactos sobre o crescimento econômico e os preços da energia.
Os rendimentos dos títulos globais avançaram durante a sessão e atingiram níveis elevados em vários anos. Na Alemanha, o rendimento do título de dez anos, o Bund, subiu para 3,2610%, maior nível desde abril de 2011.
Para os mercados acionários, juros mais altos tendem a aumentar o custo de financiamento das empresas e reduzir o valor presente dos lucros futuros, afetando principalmente companhias de crescimento elevado.
O setor de tecnologia foi o principal destaque negativo do STOXX 600, com queda de 2,5%.
Entre as empresas mais pressionadas, a Infineon recuou 7,6%, enquanto a fabricante de equipamentos para produção de chips Aixtron caiu 8,8%.
Na direção oposta, o setor de energia avançou 0,4%, beneficiado pela alta dos preços do petróleo, que alcançaram o maior nível em três semanas.
A sinalização de uma postura mais ofensiva por parte do Irã, combinada à negativa de Trump sobre possíveis negociações com Teerã, aumentou a preocupação com a oferta global de energia.
A situação é especialmente relevante para a Europa, que possui forte dependência de importações para atender às suas necessidades energéticas.
Além do petróleo, os investidores acompanham os níveis dos estoques de gás natural do continente e os custos para recomposição dos estoques antes do inverno europeu.
Entre os principais índices do continente, o DAX, de Frankfurt, caiu 0,80%, aos 26.128,36 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,82%, para 8.509,36 pontos.
O FTSE MIB, de Milão, perdeu 1,06%, aos 53.017,84 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, teve baixa de 0,24%, para 19.934,90 pontos.
Na contramão, o FTSE 100, de Londres, avançou 0,07%, aos 10.728,04 pontos. O índice português PSI20 também subiu, 0,93%, para 9.305,02 pontos.
Além do cenário geopolítico e dos juros europeus, os mercados globais também estão atentos à política monetária dos Estados Unidos.
Investidores aguardam a divulgação da ata da reunião de julho do Federal Reserve em busca de indicações sobre os próximos passos do banco central americano em relação aos juros.
Na Alemanha, o índice de confiança dos investidores calculado pelo instituto ZEW subiu mais do que o esperado em agosto, para 34,2 pontos, oferecendo um contraponto positivo ao ambiente de aversão ao risco.
Entre as ações de maior destaque, a H&M avançou 4,1%, liderando os ganhos do índice após um executivo da companhia divulgar a compra de 8 mil ações da empresa.
Já a fabricante suíça de produtos de conectividade óptica Huber+Suhner despencou 11,4%, após apresentar lucro básico e pedidos de sua unidade de comunicações abaixo das expectativas.
O desempenho dos mercados europeus reforça um cenário de maior cautela entre os investidores, que agora precisam equilibrar as perspectivas de inflação e juros com os riscos provocados pelas tensões geopolíticas e pelos preços da energia.
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