Mais de 40 empresas do S&P 500 já reportaram cerca de US$ 9,6 bilhões em reembolsos de tarifas, impulsionando resultados de gigantes como Apple, Nike e FedEx.
Os reembolsos de tarifas cobradas pelo governo de Donald Trump começaram a beneficiar grandes empresas americanas e, em alguns casos, já representam uma contribuição relevante para os resultados trimestrais, segundo levantamento divulgado pelo The Wall Street Journal (WSJ).
Mais de 40 companhias do S&P 500 já reportaram aproximadamente US$ 9,6 bilhões em reembolsos relacionados às tarifas, sendo pelo menos US$ 2,1 bilhões já recebidos em dinheiro.
Entre as empresas que registraram os maiores valores estão Apple, Nike, FedEx, Amazon e General Motors.
A Apple aparece como a principal beneficiária até o momento, com quase US$ 2,2 bilhões em reembolsos reportados.
O impacto também foi relevante sobre o lucro por ação da companhia. A empresa informou que os reembolsos contribuíram com US$ 0,11 por ação no resultado do trimestre mais recente, equivalente a aproximadamente 5% do lucro registrado no período.
As empresas de hardware de tecnologia, de forma geral, concentram os maiores valores identificados até agora, totalizando cerca de US$ 2,5 bilhões em reembolsos. A Apple representa quase 90% desse montante.
A Nike também está entre as companhias que recuperaram valores expressivos.
A empresa informou ter recebido US$ 302 milhões em reembolsos durante o último trimestre de seu ano fiscal, encerrado em 31 de maio.
Posteriormente, até 15 de julho, a companhia informou ter recebido praticamente todo o restante dos US$ 684 milhões que ainda estavam pendentes.
Somados, os valores representam quase US$ 986 milhões em reembolsos.
A FedEx reportou aproximadamente US$ 800 milhões em reembolsos, enquanto a Amazon contabilizou cerca de US$ 640 milhões.
A General Motors, por sua vez, informou aproximadamente US$ 500 milhões.
No caso da Ford, a expectativa é ainda maior. A montadora estima cerca de US$ 3 bilhões em reembolsos de tarifas provenientes do governo federal e de fornecedores. Desse total, aproximadamente US$ 1,3 bilhão estaria relacionado às tarifas consideradas inválidas pela decisão judicial.
Segundo informações citadas pelo WSJ, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos havia recebido pouco mais de 252 mil pedidos de reembolso até 31 de julho.
A agência teria aceitado aproximadamente US$ 128,7 bilhões em pedidos de reembolso para processamento, de acordo com informações apresentadas por um funcionário da agência a um tribunal federal.
O volume mostra a dimensão financeira do processo e indica que os impactos ainda podem se estender por diversos trimestres.
Apesar dos valores bilionários anunciados pelas companhias, existe uma diferença importante entre reembolso contabilizado e dinheiro efetivamente recebido.
As empresas adotam diferentes critérios contábeis. Algumas reconhecem o benefício somente quando os recursos entram no caixa, enquanto outras registram valores que consideram altamente prováveis de receber como contas a receber.
A Zebra Technologies, por exemplo, estimou que teria direito a recuperar aproximadamente US$ 73 milhões em tarifas anteriores.
Até o encerramento do segundo trimestre, a companhia havia recebido US$ 14 milhões em dinheiro e registrado o restante como valor a receber. Até 31 de julho, outros US$ 27 milhões haviam sido recebidos.
A GE HealthCare Technologies informou que os reembolsos contribuíram com US$ 0,18 dos US$ 1,24 por ação registrados no trimestre encerrado em 30 de junho.
A companhia recebeu aproximadamente US$ 107 milhões e esperava mais US$ 38 milhões em períodos posteriores.
O caso demonstra como os reembolsos podem ter impacto direto sobre os resultados apresentados pelas empresas, principalmente quando os valores recuperados são expressivos em relação ao lucro trimestral.
A Amazon adotou uma estratégia diferente em relação aos valores recuperados.
A companhia afirmou que identificou situações específicas nas quais consegue rastrear os custos das tarifas que foram repassados aos consumidores. Nesses casos, poderá entrar em contato com os clientes para realizar reembolsos.
Nos demais casos, a empresa indicou que pretende utilizar os recursos recuperados para continuar investindo em preços mais baixos para os consumidores.
O processo de devolução dos valores cobrados pelas tarifas ainda está em andamento e pode gerar novos impactos nos balanços das companhias americanas.
Para os investidores, o ponto de atenção é diferenciar o crescimento operacional efetivo das empresas de ganhos extraordinários decorrentes dos reembolsos.
Embora esses recursos possam melhorar temporariamente o lucro e o fluxo de caixa, eles não necessariamente representam aumento recorrente da capacidade de geração de resultados.
Com dezenas de empresas ainda aguardando pagamentos e bilhões de dólares em pedidos em processamento, os reembolsos de tarifas devem continuar no radar de Wall Street durante os próximos resultados corporativos.
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