Especialistas alertam que dívidas judiciais mal dimensionadas comprometem a recuperação financeira das empresas e podem dificultar processos de reestruturação, mesmo após acordos com bancos e credores.
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil continua em alta e atingiu um recorde de 5.931 companhias, segundo dados do setor. Além dos juros elevados, do crédito restrito e da desaceleração econômica, especialistas apontam que um fator frequentemente negligenciado tem agravado a crise financeira das empresas: o passivo judicial.
De acordo com Lucas Pena, CEO da PACT, empresa especializada em reestruturação de passivos corporativos, muitas companhias não dimensionam corretamente suas dívidas decorrentes de processos judiciais, dificultando o planejamento financeiro e comprometendo o fluxo de caixa durante a recuperação.
Enquanto empréstimos bancários possuem valores e cronogramas de pagamento definidos, ações judiciais costumam ser tratadas como incertezas, mesmo quando já apresentam elevado grau de previsibilidade. Segundo o especialista, essa falta de controle pode resultar em bloqueios judiciais que comprometem a execução dos planos de reestruturação.
Dados do Monitor RGF mostram que, entre janeiro e março deste ano, foram deferidos 319 novos pedidos de recuperação judicial, envolvendo cerca de R$ 18 bilhões em dívidas, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Serasa Experian aponta que 9 milhões de empresas brasileiras acumulavam R$ 229,9 bilhões em débitos até maio.
Especialistas defendem que uma gestão mais eficiente do passivo judicial, com maior transparência, provisões adequadas e integração entre as áreas jurídica e financeira, será fundamental para aumentar as chances de sucesso das recuperações judiciais. A expectativa é que o volume de pedidos permaneça elevado nos próximos anos, exigindo maior disciplina financeira e planejamento das empresas diante do cenário econômico desafiador.
Deixe um Comentário