Banco considera exagerada a reação negativa de E.ON, Elia e RWE após mudanças nas projeções de retorno das redes de gás e mantém recomendação acima da média para as três empresas.
O Morgan Stanley avalia que as recentes quedas das ações de empresas de redes elétricas alemãs abriram uma oportunidade de compra. O banco considera que a reação negativa do mercado foi exagerada após a divulgação de uma minuta com projeções menos favoráveis para os retornos das redes de gás.
A instituição manteve recomendação de “acima da média” para E.ON, Elia e RWE, argumentando que as premissas utilizadas para as redes de gás não devem ser automaticamente aplicadas às redes elétricas.
O Morgan Stanley também reiterou uma estimativa de aproximadamente 6,5% para o custo de capital próprio após impostos das redes elétricas durante o próximo período regulatório.
Entre as três empresas, a E.ON registrou a maior queda, de aproximadamente 4%.
Para o Morgan Stanley, o movimento foi excessivo diante da estrutura de negócios da companhia.
A base de ativos regulados da E.ON na Alemanha para 2026 é composta por aproximadamente 88% de eletricidade e apenas 12% de gás.
Por isso, a instituição considera que uma eventual redução do custo de capital para as redes de gás teria impacto relativamente limitado sobre o resultado da companhia.
Mesmo em um cenário de estresse, no qual parâmetros utilizados para o negócio de gás fossem aplicados às redes elétricas, o Morgan Stanley estima um impacto de aproximadamente 3% no lucro por ação de 2029.
Para o banco, esse efeito seria pequeno diante da magnitude da queda observada nas ações.
A Elia também apresentou forte queda, de aproximadamente 3,6%.
O movimento chamou ainda mais atenção porque a companhia não possui exposição às redes de gás. Seu negócio é concentrado na operação de sistemas de transmissão de eletricidade na Bélgica e na Alemanha.
Segundo o Morgan Stanley, a reação do mercado sugere uma probabilidade próxima de 50% de que a empresa enfrente o pior cenário de custo de capital próprio, estimado em 5,6%, contra uma projeção-base de 6,5%.
O banco considera esse cenário pouco provável.
Um dos argumentos é o forte crescimento esperado da base de ativos regulados da rede alemã da Elia, estimado em 23% ao ano entre 2026 e 2030.
Na avaliação da instituição, uma rede elétrica com forte expansão da base de ativos tende a justificar retornos permitidos superiores aos de uma rede de gás sem crescimento semelhante.
Mesmo no cenário mais pessimista, o Morgan Stanley estima impacto de aproximadamente 8% no lucro por ação de 2029.
A RWE teve a menor reação negativa entre as três empresas.
Segundo o Morgan Stanley, as ações recuaram cerca de 1,8%, movimento considerado mais compatível com um cenário de estresse baseado nas premissas utilizadas para as redes de gás.
Nesse caso, o impacto estimado sobre o lucro por ação de 2029 seria de aproximadamente 2%.
A RWE possui exposição a redes de energia e negócios de energia renovável, sem atuação direta relevante em redes de gás.
Por isso, embora o Morgan Stanley considere a reação do mercado mais racional no caso da RWE, o banco ainda mantém recomendação positiva para as ações.
A análise do Morgan Stanley ocorre em um momento de crescente atenção aos investimentos em infraestrutura elétrica.
A expansão da inteligência artificial, dos data centers, da eletrificação da economia e das energias renováveis aumenta a necessidade de investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia.
Esse cenário pode favorecer empresas que possuem ativos regulados e perspectivas de expansão de sua base de ativos.
Para o banco, portanto, a atual pressão sobre as ações pode representar uma oportunidade, especialmente porque o mercado teria extrapolado premissas negativas relacionadas às redes de gás para empresas cuja exposição é predominantemente elétrica.
A conclusão do Morgan Stanley é que as recentes quedas de E.ON, Elia e RWE não refletem adequadamente os fundamentos dos negócios elétricos.
A instituição entende que os investidores podem ter interpretado de forma excessivamente negativa as mudanças regulatórias relacionadas às redes de gás.
Com isso, o banco mantém sua visão positiva sobre as três companhias e considera que a combinação entre ativos regulados, crescimento da infraestrutura elétrica e demanda estrutural por energia pode sustentar retornos atrativos no longo prazo.
A recomendação, porém, representa a avaliação do Morgan Stanley e não elimina os riscos regulatórios, de mercado e de execução associados às empresas do setor.
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