O Morgan Stanley avalia que os spreads de crédito de títulos ligados a data centers e inteligência artificial devem aumentar, refletindo o elevado volume de emissões de dívida e a maior cautela dos investidores.
O Morgan Stanley avalia que os spreads de crédito de títulos vinculados ao financiamento de data centers e projetos de inteligência artificial (IA) tendem a aumentar nos próximos meses. A expectativa reflete o elevado volume de emissões de dívida no mercado global e uma postura mais cautelosa dos investidores diante dos grandes investimentos realizados pelas empresas de tecnologia.
Segundo relatório divulgado pelo banco, o mercado de crédito corporativo ligado à infraestrutura de IA passou por um processo de deterioração nas últimas seis semanas, pressionado por uma oferta global de aproximadamente US$ 360 bilhões em títulos de renda fixa ao longo do ano.
Nesse período, os spreads dos títulos de grau de investimento (investment grade) ligados a data centers aumentaram cerca de 40 pontos-base, enquanto os papéis classificados como high yield registraram um movimento ainda mais intenso.
Apesar da pressão sobre o crédito corporativo, o mercado de títulos lastreados em ativos (ABS) e de títulos lastreados em hipotecas comerciais (CMBS) apresentou comportamento mais resiliente.
Segundo o Morgan Stanley, os preços desses ativos permaneceram relativamente estáveis durante julho, principalmente nas tranches de menor risco, com apenas pequenas variações nos spreads negociados no mercado secundário.
O banco atribui essa resistência a fatores como:
Na avaliação dos estrategistas do Morgan Stanley, os títulos classificados como BBB oferecem atualmente a melhor relação entre risco e retorno.
O banco afirma que consideraria ampliar posições caso os spreads ultrapassem aproximadamente:
Mesmo projetando um aumento temporário dos spreads, a instituição mantém uma visão positiva para o setor no médio prazo.
O relatório destaca que a capacidade global de processamento para aplicações de inteligência artificial continua insuficiente diante do crescimento da demanda.
Por esse motivo, o Morgan Stanley acredita que os investimentos em infraestrutura para IA seguirão elevados, sustentando o mercado de data centers nos próximos anos.
Como estratégia defensiva, o banco recomenda maior exposição a data centers de colocation, que atendem diversos clientes simultaneamente, em vez de ativos excessivamente concentrados em grandes provedores de nuvem, conhecidos como hyperscalers.
Segundo os analistas, essa diversificação reduz riscos específicos relacionados a poucas empresas e oferece maior previsibilidade para investidores em crédito voltado ao segmento de infraestrutura digital.
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