Com o mercado de pagamentos para consumidores já amplamente digitalizado, a Mastercard aposta no segmento empresarial e lança solução para automatizar transações B2B.
A Mastercard está ampliando sua atuação no mercado brasileiro de pagamentos e passou a mirar com mais força as transações entre empresas. A estratégia ganhou destaque durante a Febraban Tech 2026, com o lançamento do Mastercard Wholesale Program (MWP), solução baseada em cartões virtuais e voltada para pagamentos B2B.
A iniciativa ocorre em um momento em que os pagamentos digitais para consumidores já alcançaram elevado nível de maturidade no país. Segundo dados apresentados pela companhia, os cartões empresariais movimentaram R$ 409,5 bilhões em 2025, representando 9,1% do mercado total de cartões.
Ao mesmo tempo, cerca de R$ 2,5 trilhões ainda são movimentados por boletos bancários, mostrando o tamanho do mercado que pode ser digitalizado.
O Mastercard Wholesale Program foi desenvolvido inicialmente para o setor de viagens, conectando agências, operadoras de turismo, hotéis, companhias aéreas e outros fornecedores.
A solução permite gerar cartões virtuais únicos e temporários para cada pagamento. Os cartões podem ser configurados com informações como valor, fornecedor autorizado e prazo de utilização.
A proposta é aumentar a segurança das operações, reduzir riscos de fraude e facilitar a conciliação financeira.
Segundo a Mastercard, os dados comerciais podem ser incorporados ao cartão virtual, permitindo identificar automaticamente para quem determinado pagamento foi realizado.
Dados da Qive indicam que 77% das operações B2B no Brasil são realizadas a prazo, movimentando aproximadamente R$ 4,1 trilhões entre 2023 e 2025.
Boletos e duplicatas representam cerca de 74% do valor dessas transações, o que evidencia o potencial de migração para soluções digitais.
A Mastercard estima que os pagamentos comerciais possam crescer cerca de 23% ao ano nos próximos seis anos.
Para Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, o segmento empresarial representa uma nova frente de expansão diante da elevada digitalização dos pagamentos de consumidores.
A escolha do turismo como porta de entrada está relacionada à complexidade da cadeia de pagamentos do setor. Uma única compra realizada por um consumidor pode gerar diversas transações entre agências, hotéis, companhias aéreas e fornecedores.
A Mastercard afirma que essa estrutura aumenta a necessidade de automação, rastreabilidade e conciliação financeira.
Além do turismo, a companhia avalia levar a solução para outros setores, como agronegócio, transporte e eventos.
A plataforma também permite a emissão de cartões em diferentes moedas, característica importante para empresas que realizam operações internacionais.
A expansão dos pagamentos B2B ocorre paralelamente às adaptações exigidas pela reforma tributária.
A implementação do modelo de split payment, previsto no novo sistema tributário, deverá exigir mudanças nos processos financeiros das empresas.
Nesse contexto, a indústria de pagamentos decidiu inicialmente priorizar soluções como boleto e Pix, enquanto a implementação do modelo para cartões deverá ocorrer posteriormente.
A movimentação mostra que a próxima grande disputa do mercado de pagamentos pode estar menos no consumidor final e mais nos processos financeiros que acontecem entre empresas.
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