Mercado acompanha a sinalização do Banco Central sobre inflação, enquanto petróleo sobe diante do impasse entre EUA e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Ibovespa Futuro operava próximo da estabilidade na manhã desta terça-feira (11), em um pregão marcado pela repercussão da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pelos dados de inflação e pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
Às 9h11, no horário de Brasília, o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em agosto registrava alta de 0,01%, aos 172.215 pontos.
O mercado também acompanha uma nova pesquisa eleitoral prevista para esta terça-feira, além dos resultados corporativos e do comportamento dos ativos internacionais.
A ata divulgada pelo Banco Central trouxe uma sinalização de cautela em relação aos chamados efeitos secundários dos choques de oferta.
A autoridade monetária afirmou que poderá reagir com firmeza caso aumentos de preços relacionados a fatores externos, como o petróleo e eventos climáticos, passem a gerar efeitos mais amplos e persistentes sobre a inflação.
O documento também demonstrou preocupação com possíveis pressões inflacionárias relacionadas à demanda, em meio às medidas de estímulo adotadas pelo governo.
A sinalização mantém os próximos passos da política monetária em aberto, mesmo após o Copom ter reduzido a Selic para 14% ao ano na reunião anterior.
Outro destaque do cenário doméstico é o resultado do IPCA de julho.
O índice subiu 0,07% no mês, acumulando alta de 4,44% em 12 meses.
O resultado ficou ligeiramente acima das expectativas de mercado, que apontavam para avanço de 0,03% em julho e alta acumulada de 4,40% em 12 meses.
A leitura dos dados de inflação será importante para as expectativas em relação à trajetória dos juros, especialmente diante da sinalização de que o Banco Central pretende manter uma política monetária suficientemente restritiva.
No exterior, o petróleo operava em alta diante do aumento das incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã.
As conversas sobre um possível acordo de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz chegaram a um impasse, aumentando as preocupações sobre o fluxo de petróleo e derivados pela importante rota marítima.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou novas exigências ao governo iraniano, incluindo pedidos de indenização relacionados a mortes e danos decorrentes de conflitos, ataques e protestos.
A possibilidade de prolongamento das dificuldades para reabrir o Estreito de Ormuz mantém os preços do petróleo sob pressão altista.
Nos Estados Unidos, os índices futuros apresentavam ganhos moderados.
O Dow Jones Futuro subia 0,09%, enquanto o S&P 500 Futuro avançava 0,15%. O Nasdaq Futuro registrava alta de 0,29%.
Apesar do desempenho positivo dos contratos futuros, a preocupação com os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global limita o apetite por risco nos mercados internacionais.
Na Ásia-Pacífico, as bolsas encerraram a sessão de forma mista, com investidores avaliando justamente os possíveis impactos do petróleo mais caro sobre a atividade econômica e a inflação.
No mercado brasileiro, o dólar futuro registrava baixa de 0,07%, cotado a aproximadamente R$ 5,129.
O comportamento da moeda é acompanhado de perto pelos investidores diante das perspectivas para a política monetária brasileira e do ambiente externo.
Uma eventual pressão adicional sobre o petróleo pode influenciar as expectativas de inflação e, consequentemente, as projeções para os juros.
Entre os resultados corporativos, o BTG Pactual informou lucro líquido ajustado de R$ 5,14 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 22,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho coloca o banco entre os destaques da temporada de balanços e será acompanhado pelos investidores durante o pregão.
As ações BPAC11 também estão no radar do mercado nesta abertura.
No mercado de commodities, as cotações do minério de ferro encerraram a sessão na China em alta.
O movimento foi impulsionado por uma combinação de redução da oferta no curto prazo e aumento dos custos de frete.
O desempenho da commodity é especialmente relevante para o mercado brasileiro devido ao peso das empresas ligadas à mineração e siderurgia na composição do Ibovespa.
O pregão desta terça-feira reúne uma série de fatores capazes de influenciar o comportamento dos ativos brasileiros.
No ambiente doméstico, os principais pontos de atenção são a ata do Copom, o resultado do IPCA e as expectativas para os próximos passos da política monetária.
No exterior, o petróleo e as negociações entre Estados Unidos e Irã permanecem no centro das atenções, enquanto os investidores também acompanham o desempenho das bolsas internacionais.
Com o Ibovespa Futuro próximo da estabilidade na abertura, o mercado inicia o dia avaliando simultaneamente inflação, juros, commodities e riscos geopolíticos.
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