Área de trading do Goldman Sachs avalia possíveis reações da Bolsa, do dólar e dos juros conforme os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
A proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para domingo (4), mantém os investidores atentos à possibilidade de mudanças expressivas nos preços dos ativos nacionais. Em análise divulgada nesta quarta-feira (30), a área de trading do Goldman Sachs identificou três cenários eleitorais e seus possíveis impactos sobre a Bolsa, o câmbio e os juros.
Osmin Rivera, corresponsável global pela área de trading de mercados emergentes do banco, destacou que o mercado já incorporou parte das expectativas eleitorais aos preços, mas ainda existem assimetrias que podem provocar movimentos relevantes após a divulgação dos resultados.
A avaliação da mesa de operações do Goldman Sachs considera três possibilidades para o resultado do primeiro turno e suas possíveis consequências para os ativos brasileiros:
A diferença entre os cenários está relacionada, principalmente, às expectativas sobre a condução da política fiscal. Parte dos investidores considera que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia promover um ajuste fiscal mais profundo do que a continuidade da atual administração.
Segundo Rivera, as expectativas dos investidores mudaram significativamente desde julho e agosto. Naquele período, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais superava dez pontos percentuais. Mais recentemente, essa diferença caiu para menos de três pontos.
Nos mercados de previsão, como o Polymarket, as probabilidades também passaram por alterações. As estimativas, anteriormente próximas de 65% para Lula e 35% para Flávio Bolsonaro, passaram a girar em torno de 55% para Flávio e 45% para Lula.
No cenário de segundo turno, a vantagem de aproximadamente cinco pontos percentuais atribuída a Lula no final de julho deu lugar a uma situação de empate técnico.
No mercado cambial, o Goldman Sachs acompanha operações estruturadas com opções que permitem buscar ganhos com uma eventual queda do dólar para menos de R$ 5 nos próximos três meses.
As estruturas consideradas pelo banco possuem mecanismos de limitação de perdas e barreiras de desativação em R$ 4,70 ou abaixo desse patamar.
A estratégia leva em conta a possibilidade de valorização do real, mas também as dificuldades que um eventual governo de oposição poderia enfrentar para implementar uma agenda de ajuste fiscal. Esse cenário poderia limitar a intensidade de uma eventual queda do dólar.
No mercado acionário, o banco monitora operações de call spread sobre o EWZ, fundo de índice negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras. As estruturas têm vencimento em novembro e vêm atraindo o interesse de investidores internacionais.
A estratégia combina a compra e a venda de opções de compra com diferentes preços de exercício. Com isso, permite estabelecer uma exposição à valorização do ativo, limitando o custo inicial em comparação com a compra isolada de opções de compra.
O Goldman também acompanha posições compradas em uma cesta de ações sensíveis aos ciclos de juros, cujos preços podem reagir às expectativas sobre a política monetária brasileira.
No mercado de renda fixa, a mesa de operações do Goldman Sachs mantém posições aplicadas no trecho intermediário da curva de juros futuros, conhecido como miolo da curva de DIs (Depósitos Interfinanceiros).
Essa estratégia busca se beneficiar de um eventual fechamento das taxas de juros intermediárias.
Entretanto, diante da possibilidade de movimentos bruscos provocados pelo resultado eleitoral, o banco destaca a preferência por operações com derivativos e estruturas que permitam limitar as perdas.
Além do Brasil, o Goldman Sachs acompanha os mercados latino-americanos, que apresentaram movimentos próprios nas últimas semanas, mesmo diante da elevação dos juros globais e das decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
Na Colômbia, os investidores aguardam a apresentação, em outubro, de um pacote de consolidação fiscal relacionado ao orçamento de 2027. Rivera demonstrou uma avaliação construtiva sobre as perspectivas do país.
O banco também acompanha a próxima reunião do banco central colombiano, cuja decisão sobre os juros é considerada apertada, com leve preferência pela manutenção da taxa. Na renda fixa, a instituição manifesta interesse pelos títulos locais com vencimentos entre três e cinco anos.
A avaliação do Goldman Sachs mostra como as expectativas eleitorais podem influenciar simultaneamente diferentes classes de ativos brasileiros. Bolsa, câmbio e juros apresentam possibilidades distintas de reação, dependendo do resultado das urnas e das expectativas sobre a política econômica.
As projeções apresentadas pela instituição são cenários condicionais, e a reação efetiva dos mercados também dependerá de fatores externos, da percepção de risco e das perspectivas para a condução da política fiscal e monetária.
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