Investidores acompanham a pausa de três dias nas tarifas americanas sobre produtos canadenses, enquanto petróleo, juros dos Treasuries e tensões no Oriente Médio continuam pressionando os mercados.
Os futuros do principal índice acionário do Canadá operavam em leve alta nesta quarta-feira (19), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma suspensão temporária de três dias para novas tarifas sobre produtos canadenses.
Às 8h37, pelo horário de Brasília, o contrato futuro do S&P/TSX 60 avançava cerca de 0,1%, enquanto os investidores avaliavam a possibilidade de um novo acordo comercial entre os dois países.
Na sessão anterior, o S&P/TSX Composite havia recuado 0,8%, para 36.367,93 pontos, atingindo o menor nível de fechamento desde 6 de agosto.
Poucas horas antes do prazo para entrada em vigor das novas tarifas, Trump afirmou que Estados Unidos e Canadá haviam chegado a um “acordo”, embora ainda dependente da conclusão da documentação.
A medida suspende temporariamente uma tarifa planejada de 50% sobre uma série de produtos canadenses.
A ameaça tarifária havia sido anunciada em julho e poderia atingir aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos, incluindo vinho, móveis, equipamentos de pesca e tacos de hóquei.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos informou que as negociações devem envolver maior acesso de produtos americanos ao mercado canadense e alinhamento em questões relacionadas ao comércio digital.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que houve progresso nas conversas, mas ressaltou que ainda existe trabalho importante a ser realizado.
Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices apresentavam comportamento misto.
Por volta das 8h47, os futuros do Dow Jones subiam aproximadamente 0,1%, enquanto os futuros do S&P 500 permaneciam próximos da estabilidade. Já os futuros do Nasdaq 100 recuavam cerca de 0,2%.
Na sessão anterior, os principais índices americanos fecharam em queda.
O S&P 500 caiu 0,7%, o Dow Jones recuou 0,2% e o Nasdaq Composite perdeu 1,3%, registrando sua maior queda desde 29 de julho.
O movimento negativo foi especialmente forte entre empresas de tecnologia e semicondutores.
O índice de semicondutores da Filadélfia caiu aproximadamente 5%, enquanto a Nvidia recuou 2,3% e a Micron Technology despencou cerca de 7%.
A queda das empresas de tecnologia ocorreu em meio à realização de lucros e às preocupações relacionadas ao enorme volume de investimentos necessários para sustentar o atual ciclo de expansão da inteligência artificial.
Um dos principais pontos de atenção é o financiamento da infraestrutura necessária para a IA, especialmente os grandes data centers e sistemas computacionais de alta capacidade.
Ao mesmo tempo, a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano aumenta a taxa de desconto utilizada pelos investidores para avaliar lucros futuros, o que tende a exercer pressão especialmente sobre ações de crescimento.
O mercado também permanece atento à situação no Oriente Médio.
Os preços do petróleo Brent avançaram novamente, superando US$ 91 por barril, aumentando as preocupações com possíveis impactos sobre a inflação global.
O ouro também registrava alta, beneficiado pela combinação de um dólar americano mais fraco e pela queda dos rendimentos dos Treasuries.
O Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de atenção. A região é uma rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito.
Trump afirmou que o estreito estaria aberto e em operação, enquanto autoridades iranianas mantiveram uma posição diferente sobre as condições necessárias para sua reabertura.
Outro foco dos investidores nesta quarta-feira é a divulgação da ata da reunião de julho do Federal Reserve.
O documento poderá fornecer novas pistas sobre a trajetória da política monetária americana, especialmente depois de três presidentes regionais do Fed terem discordado da decisão de manter as taxas de juros inalteradas.
O mercado continua acompanhando de perto a combinação entre inflação, juros, déficit fiscal e endividamento americano, fatores que podem influenciar diretamente a precificação de ações e títulos.
No ambiente corporativo, a Lowe's reduziu sua projeção de vendas para o ano, após indicar dificuldades relacionadas ao ritmo mais lento dos grandes projetos de reforma.
Já a Target elevou novamente sua meta anual de vendas, pelo segundo trimestre consecutivo, em meio ao processo de recuperação da companhia sob o novo CEO, Michael Fiddelke.
Apesar da revisão positiva, as ações da varejista recuavam no mercado, com analistas avaliando que as expectativas já estavam bastante elevadas após uma valorização superior a 50% no ano.
O mercado canadense, portanto, inicia a sessão influenciado por uma combinação de fatores: a pausa nas tarifas de Trump, as negociações comerciais entre Washington e Ottawa, a pressão sobre empresas de tecnologia, os preços do petróleo e as expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve.
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