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28/09/2026

Fim da escala 6x1 exige novas estratégias para concessionárias e lojas de veículos

Setembro 04, 2026
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Mudança na jornada de trabalho não obriga estabelecimentos a fechar aos fins de semana, mas exige reorganização das equipes para preservar as vendas nos períodos de maior movimento.

O possível fim da escala 6x1 deve provocar mudanças importantes na organização das concessionárias e lojas multimarcas de veículos. Embora a redução da jornada não obrigue os estabelecimentos a fechar aos fins de semana, as empresas precisarão encontrar novas formas de manter equipes completas justamente nos períodos em que o movimento de consumidores costuma ser maior.

No mercado automotivo, o comportamento do consumidor apresenta uma característica particular. Durante a semana, muitos clientes pesquisam preços, simulam financiamentos e entram em contato com vendedores. Porém, é principalmente aos sábados que muitos consumidores conseguem visitar lojas, avaliar veículos, negociar e concluir a compra.

Em períodos promocionais e feirões, o domingo também pode se transformar em um dos principais dias de vendas.

O que está em discussão sobre a escala 6x1

A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado.

A proposta ainda não representa uma regra em vigor. O texto prevê uma transição gradual, começando com uma jornada de 42 horas semanais e posteriormente chegando às 40 horas.

A mudança não significa que concessionárias e lojas de veículos necessariamente precisarão deixar de funcionar aos sábados ou domingos.

Uma empresa poderá, por exemplo, organizar equipes em diferentes escalas, com profissionais trabalhando de terça-feira a sábado e outros de quarta-feira a domingo.

O desafio será garantir cobertura adequada sem aumentar excessivamente os custos com horas extras ou provocar perda de produtividade.

Redução da jornada aumenta o custo por hora

Com a manutenção dos salários e a redução da jornada semanal, o custo da hora trabalhada tende a aumentar.

A passagem de 44 para 40 horas representa uma redução de aproximadamente 9% na jornada semanal. Para manter o mesmo volume de horas trabalhadas, as empresas precisarão compensar essa diferença por meio de produtividade, reorganização das equipes ou contratação de novos profissionais.

No setor automotivo, entretanto, existe uma dificuldade adicional: boa parte da remuneração dos vendedores está ligada à produção e às comissões.

Uma contratação adicional não significa necessariamente aumento proporcional das vendas. Se o volume de leads e negócios permanecer o mesmo, a distribuição entre mais vendedores pode reduzir a renda individual dos profissionais.

O sábado continua sendo estratégico para as vendas

O principal desafio para as concessionárias será conciliar a nova jornada com o comportamento dos consumidores.

Um vendedor pode estar de folga justamente no sábado, quando o movimento da loja é maior. Da mesma forma, um cliente que iniciou uma negociação no fim de semana pode precisar de documentação ou informações adicionais na segunda-feira, quando o profissional responsável pelo atendimento estará novamente trabalhando.

Uma alternativa é separar as funções comerciais das atividades de retaguarda.

Processos como análise de crédito, documentação, transferência, licenciamento e entrega podem ser centralizados. Ao mesmo tempo, equipes comerciais podem trabalhar de forma compartilhada, permitindo que diferentes vendedores tenham acesso às informações de um mesmo cliente.

Tecnologia pode ganhar importância

A utilização de sistemas de CRM e automação também pode se tornar ainda mais relevante.

Com processos estruturados, outro vendedor consegue assumir o atendimento sem que o cliente precise começar novamente toda a negociação.

A organização de leads, histórico de contatos, propostas, financiamento e documentação permite que a venda continue mesmo quando o profissional que iniciou o atendimento estiver de folga.

Nesse cenário, empresas com maior capacidade de investimento em tecnologia, gestão de dados e estruturas centralizadas podem ter vantagem sobre pequenas lojas que dependem de poucos funcionários para executar todas as etapas do processo.

Pequenas lojas podem enfrentar maiores dificuldades

As lojas multimarcas menores tendem a sentir mais os efeitos da mudança porque trabalham com equipes reduzidas e, muitas vezes, concentram diversas funções em poucos profissionais.

A ausência de um vendedor em um sábado movimentado ou durante um feirão pode representar perda significativa de oportunidades comerciais.

Por isso, a solução não necessariamente será contratar mais pessoas. Antes disso, as empresas precisarão avaliar quais atividades podem ser reorganizadas, automatizadas ou compartilhadas entre os funcionários.

Indicadores serão fundamentais

Com a mudança na jornada, as concessionárias deverão acompanhar indicadores como conversão de vendas por horário, vendas por vendedor, horas trabalhadas por veículo vendido, prazo entre proposta e entrega, custo da folha em relação à margem bruta, horas extras e rotatividade.

Esses dados poderão mostrar quais períodos exigem maior concentração de funcionários e onde será possível reorganizar as escalas.

Mudança pode beneficiar trabalhadores e empresas

A redução da jornada pode trazer benefícios para os trabalhadores, incluindo mais tempo de descanso, menor fadiga e potencial melhora na retenção de profissionais qualificados.

Para as empresas, entretanto, o resultado dependerá da capacidade de reorganizar processos.

O fim da escala 6x1 não significa necessariamente que concessionárias terão de fechar aos sábados ou domingos. O que muda é a necessidade de adaptar a distribuição das equipes ao comportamento do consumidor.

No setor automotivo, essa questão é especialmente importante porque sábado é um dos principais dias de vendas e domingos de feirão também podem concentrar uma parcela relevante dos negócios.

A empresa que simplesmente reduzir a jornada sem reorganizar sua operação poderá perder produtividade e oportunidades de vendas. Já aquelas que conseguirem combinar novas escalas, tecnologia, atendimento compartilhado e processos de retaguarda terão melhores condições de preservar o desempenho comercial.

O desafio, portanto, não será apenas trabalhar menos horas, mas garantir que os profissionais estejam disponíveis nos momentos em que o cliente efetivamente decide comprar.

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