Dólar à vista avança mais de 1% e chega a R$ 5,16, pressionado pelo IPCA acima das expectativas, pela ata do Copom e pela reação dos investidores à nova pesquisa eleitoral.
O dólar ganhou força nesta terça-feira (11), em um pregão marcado pela divulgação de novos dados de inflação, pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral.
A moeda americana acelerou os ganhos durante a tarde, enquanto investidores avaliavam os possíveis impactos dos dados econômicos e do cenário político sobre os ativos brasileiros.
Às 14h25, o dólar à vista registrava alta de 1,02%, negociado a R$ 5,163 na venda.
No mercado futuro, entretanto, o movimento era mais contido. O contrato com vencimento em setembro, atualmente o mais negociado na B3, apresentava leve queda de 0,01%, aos R$ 5,133.
Um dos principais fatores acompanhados pelo mercado foi o resultado do IPCA de julho.
A inflação oficial do país avançou 0,07% no mês, acima da expectativa dos analistas, que projetavam alta de 0,03%.
No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,44%, também acima da previsão de 4,40%.
Embora a diferença entre o resultado efetivo e as projeções tenha sido pequena, o número reforça a preocupação com a trajetória da inflação e pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária.
A ata da última reunião do Banco Central também esteve no centro das atenções.
O documento indicou que a autoridade monetária continua preocupada com possíveis efeitos secundários de choques de oferta, especialmente aqueles relacionados aos preços do petróleo e a eventos climáticos.
O Banco Central sinalizou que poderá adotar uma postura firme caso esses fatores provoquem efeitos persistentes sobre a inflação.
A autoridade também destacou a necessidade de manter a política monetária em território restritivo para garantir a convergência da inflação à meta.
Esse cenário tende a manter os investidores atentos à combinação entre inflação, juros e atividade econômica.
Além dos indicadores econômicos, a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto provocou uma reação relevante nos ativos brasileiros.
Segundo a análise de Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, o movimento refletiu uma mudança na percepção de risco político entre parte dos investidores.
A pesquisa apontou ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro.
A reação do mercado, contudo, não deve ser interpretada isoladamente. Investidores também consideram as perspectivas fiscais, econômicas e institucionais associadas ao cenário eleitoral, que ainda pode sofrer alterações ao longo do ciclo eleitoral.
No exterior, o dólar apresentava pouca variação diante das incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
O impasse sobre um possível acordo de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz continuava influenciando os preços do petróleo.
O presidente americano, Donald Trump, apresentou novas exigências em resposta às condições colocadas por Teerã para um eventual acordo.
Entre as demandas está o pagamento de indenizações relacionadas a pessoas mortas em guerras, ataques e protestos, medida que pode dificultar uma solução para o impasse.
A possibilidade de manutenção de preços elevados do petróleo também é acompanhada de perto pelos investidores brasileiros.
Uma alta prolongada da commodity pode aumentar pressões inflacionárias em diferentes economias e complicar a condução da política monetária.
No Brasil, esse fator ganha relevância porque pode afetar tanto a inflação quanto as expectativas para os juros.
A própria ata do Copom destacou a necessidade de monitorar possíveis efeitos indiretos de choques relacionados ao petróleo.
Para o mercado cambial, os próximos movimentos deverão depender da combinação de fatores domésticos e internacionais.
No Brasil, a trajetória da inflação, os sinais do Banco Central e a evolução do cenário eleitoral estarão entre os principais pontos de atenção.
No exterior, as negociações entre Estados Unidos e Irã, o comportamento do petróleo e a percepção sobre a política monetária das principais economias também podem influenciar o fluxo para mercados emergentes.
A alta superior a 1% do dólar nesta terça-feira mostra que o mercado segue sensível a mudanças nas expectativas econômicas e políticas.
Para os investidores, o comportamento da moeda americana continuará sendo um importante termômetro da percepção de risco sobre os ativos brasileiros.
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