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28/09/2026

Casas Bahia: recuperação judicial é para preservar a operação, diz CEO

Agosto 17, 2026
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CEO da Casas Bahia afirma que a recuperação judicial busca proteger o caixa, renegociar passivos e garantir a continuidade da operação diante da deterioração do cenário econômico e de crédito.

A Casas Bahia (BHIA3) afirma que o pedido de recuperação judicial apresentado no domingo (16) tem como principal objetivo preservar a operação da companhia e reorganizar seus passivos diante da deterioração do cenário econômico e financeiro.

Durante teleconferência realizada nesta segunda-feira (17), o CEO Renato Franklin afirmou que a recuperação judicial deve funcionar como um mecanismo de proteção para a empresa enquanto são renegociadas suas obrigações financeiras.

“A recuperação judicial é um instrumento para fortalecer a continuidade da operação”, afirmou o executivo.

Segundo Franklin, o objetivo é proteger o caixa e preservar as principais vantagens competitivas da companhia. Ele resumiu a estratégia dizendo que existe um “ajuste de rota, mas não ajuste de destino”.

Recuperação judicial busca preservar as “fortalezas”

Na avaliação da administração, a recuperação judicial cria condições para que a Casas Bahia negocie seus passivos de maneira mais organizada, preservando sua escala comercial e seus canais de venda.

A companhia espera utilizar sua relevância no mercado para negociar principalmente com grandes instituições financeiras.

O CEO também afirmou que a empresa trabalha com a expectativa de maior estabilidade nas vendas em relação ao passado, apoiada por uma estrutura comercial que atualmente possui mais canais de venda em funcionamento.

Cenário econômico piorou

Franklin afirmou que a empresa não conseguiu executar integralmente o plano de recuperação que já estava em andamento diante de uma mudança significativa no ambiente macroeconômico.

Segundo o executivo, a partir de abril houve aumento das pressões provocadas pelo cenário internacional, com impactos sobre a inflação e a curva de juros.

O ambiente doméstico também ficou mais desafiador, incluindo turbulências relacionadas ao cenário eleitoral.

Para a Casas Bahia, o principal problema continua sendo a combinação de juros elevados, menor disponibilidade de crédito e maior endividamento das famílias.

O impacto é especialmente forte entre consumidores de menor renda, que possuem maior dependência do crédito para realizar compras de bens duráveis.

Empresa trabalha com 2027 ainda mais difícil

Um dos pontos de maior atenção na fala da administração foi a perspectiva para os próximos anos.

A companhia afirmou que não trabalha com uma melhora do cenário macroeconômico no curto prazo e elaborou seu planejamento considerando um 2027 potencialmente pior do que 2026.

Além disso, a Casas Bahia considera possível uma nova deterioração das condições de crédito.

Por isso, o plano foi estruturado para permitir que a companhia atravesse um ambiente econômico ainda mais adverso, mantendo aberta a possibilidade de novos ajustes caso sejam necessários.

Fechamento de lojas

O processo de redução da estrutura física também faz parte da estratégia.

Segundo o CEO, o fechamento de lojas realizado recentemente ocorreu em uma “onda única”, não havendo, neste momento, expectativa de um novo anúncio de fechamento em larga escala.

A companhia pretende concentrar suas operações nas unidades com maior potencial de rentabilidade.

Plano de Transformação Fase 2

A administração também detalhou o chamado Plano de Transformação Fase 2, que reúne medidas destinadas a melhorar a geração de caixa e tornar a operação mais sustentável.

Entre as principais iniciativas estão:

  1. fechamento de lojas menos rentáveis;
  2. aumento da rentabilidade dos canais digitais;
  3. venda de participações em determinados ativos;
  4. redução da estrutura de custos;
  5. redimensionamento do quadro de funcionários;
  6. melhoria da qualidade e adequação dos estoques;
  7. revisão de contratos;
  8. revisão dos investimentos;
  9. redução do Capex;
  10. concentração dos investimentos em projetos considerados essenciais.

A estratégia representa uma continuidade do processo de transformação da empresa, mas com maior foco na preservação de caixa e redução da pressão financeira.

O que o mercado deve acompanhar em BHIA3

O pedido de recuperação judicial muda o foco dos investidores. A partir de agora, alguns dos principais pontos a serem acompanhados são:

1. Reestruturação da dívida: como os R$ 17,3 bilhões em passivos serão renegociados.

2. Geração de caixa: capacidade da operação de produzir caixa suficiente para manter as atividades.

3. Crédito: disponibilidade de financiamento para fornecedores e consumidores.

4. Estoques: qualidade, volume e necessidade de liquidações para geração de caixa.

5. Rentabilidade: evolução das margens após os ajustes operacionais.

6. Plano de recuperação: condições que serão apresentadas aos credores e sua execução.

7. Ambiente macroeconômico: especialmente juros, inflação, emprego e disponibilidade de crédito.

A mensagem da administração é que a recuperação judicial não representa uma mudança no objetivo estratégico da companhia, mas uma tentativa de criar condições financeiras para preservar a operação e executar uma nova etapa de reestruturação.

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