País concentrou 40% dos investimentos estrangeiros destinados à América Latina e ao Caribe em 2025, com destaque para tecnologia, energia, inteligência artificial e fusões e aquisições.
O Brasil consolidou sua posição como principal destino de investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina e no Caribe em 2025. Segundo levantamento da Global Citizen Solutions, o país recebeu US$ 77,67 bilhões, o equivalente a aproximadamente 40% de todo o capital estrangeiro direcionado à região.
Ao todo, a América Latina e o Caribe receberam US$ 194,23 bilhões em investimentos no período.
O México, segunda maior economia regional, ficou na segunda posição, com US$ 43,22 bilhões, ou 22% do total. Juntos, Brasil e México concentraram cerca de 62% dos investimentos estrangeiros destinados à região.
O perfil dos investimentos estrangeiros também vem mudando. Além das tradicionais commodities, o Brasil passou a atrair cada vez mais capital para setores ligados à tecnologia, inteligência artificial, infraestrutura digital e transição energética.
Um dos exemplos foi o investimento de US$ 2,7 bilhões da Microsoft para ampliar sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial no país.
A Alibaba Cloud também anunciou planos para instalar no Brasil seu primeiro data center na América Latina, reforçando o interesse internacional na infraestrutura tecnológica brasileira.
A expansão da inteligência artificial aumenta a demanda por data centers, que, por sua vez, exigem grandes volumes de energia. Com isso, tecnologia e energia passam a formar uma cadeia cada vez mais importante para a atração de investimentos.
Em 2025, o setor de serviços respondeu por 53% do investimento estrangeiro destinado à América Latina, enquanto os recursos naturais representaram 16%.
O movimento mostra uma diversificação do capital estrangeiro na região, com maior participação de projetos relacionados à digitalização, infraestrutura, energia e minerais estratégicos.
Países latino-americanos com grandes reservas de lítio e cobre, por exemplo, também ganham importância diante da expansão da eletrificação e da demanda global por novas tecnologias.
O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) também contribuiu para o resultado.
O país registrou mais de 1.800 operações de M&A em 2025, movimentando aproximadamente US$ 58 bilhões e mantendo o Brasil como principal polo de negócios da América Latina.
Além disso, o país possui cerca de 386 mil milionários em dólar, o maior contingente de indivíduos de alta renda da região, segundo os dados utilizados no levantamento.
Apesar dos desafios econômicos e fiscais, os números mostram que o Brasil continua sendo um mercado estratégico para investidores internacionais.
A combinação de grande mercado consumidor, recursos naturais, infraestrutura energética, potencial tecnológico e oportunidades de consolidação empresarial mantém o país entre os principais destinos de capital estrangeiro.
O desafio agora é transformar esse fluxo de recursos em crescimento sustentável, aumento de produtividade e geração de empregos, fortalecendo a posição brasileira no cenário global de investimentos.
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