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28/09/2026

Bilionários da inteligência artificial avançam sobre o esporte — e os Lakers podem ser apenas o começo

Agosto 19, 2026
7Minuto lidos
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A entrada de investidores ligados à tecnologia em franquias esportivas revela uma nova tese de longo prazo: em um mundo dominado por conteúdo gerado por IA, marcas construídas sobre comunidade, identidade e pertencimento podem se tornar ainda mais valiosas.

A inteligência artificial está começando a mudar não apenas a tecnologia, a mídia e o mercado de trabalho, mas também o perfil dos investidores que compram grandes franquias esportivas.

A recente venda do Los Angeles Lakers, avaliada em aproximadamente US$ 12,5 bilhões, colocou essa transformação no centro do debate. A operação envolve Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, e Bob Iger, ex-CEO da Disney, em uma transação que reforça a aproximação entre grandes investidores de tecnologia e ativos esportivos.

O movimento ocorre em paralelo à entrada de outros nomes ligados ao setor de tecnologia em franquias americanas, como Mark Cuban, que adquiriu participação minoritária no Las Vegas Athletics, e Vinod Khosla, investidor conhecido por seus aportes em inteligência artificial e tecnologia.

A tese por trás desses movimentos é particularmente interessante: enquanto a IA aumenta exponencialmente a capacidade de produzir conteúdo, o esporte oferece algo que continua sendo escasso — atenção coletiva, identidade e pertencimento.

Mark Cuban: da internet ao esporte e à IA

A trajetória de Mark Cuban ajuda a ilustrar essa mudança.

O empresário comprou o Dallas Mavericks, da NBA, por cerca de US$ 285 milhões, em 2000, pouco depois de vender a Broadcast.com ao Yahoo! por aproximadamente US$ 5,7 bilhões.

Agora, mais de duas décadas depois, Cuban voltou a ampliar sua exposição ao esporte. Por meio da Harbinger Sports Partners, tornou-se investidor minoritário do Las Vegas Athletics, franquia que está se preparando para deixar Oakland e se estabelecer em Las Vegas.

O grupo busca levantar aproximadamente US$ 550 milhões para ajudar a financiar um novo estádio estimado em US$ 2 bilhões.

A aproximação de Cuban com a inteligência artificial também não é recente. Desde 2019, ele teria investido mais de US$ 100 milhões em quatro startups do setor.

Para o empresário, ignorar a IA seria semelhante a ignorar a internet durante o período de expansão das empresas pontocom.

Sua trajetória combina, portanto, três momentos distintos da economia: a internet, a transformação do esporte em ativo financeiro e a atual corrida pela inteligência artificial.

Joshua Kushner aproxima tecnologia e ativos culturais

O caso de Joshua Kushner é ainda mais diretamente ligado à atual corrida tecnológica.

Fundador da Thrive Capital, Kushner construiu sua reputação investindo em empresas de tecnologia de alto crescimento.

A gestora possui investimentos em companhias como OpenAI, SpaceX e Anduril e levantou mais de US$ 10 bilhões para seu novo fundo, voltado a empresas de tecnologia em diferentes estágios de desenvolvimento.

A estratégia também ganhou uma nova frente com a criação da Thrive Eternal, estrutura destinada a investimentos em ativos culturais considerados capazes de preservar valor por longos períodos.

A compra dos Lakers se encaixa nessa lógica.

Em vez de buscar apenas empresas que possam crescer rapidamente, a tese passa a incluir ativos que possuem valor cultural e podem ser mantidos durante décadas.

Por que a IA pode aumentar o valor do esporte?

A resposta passa justamente por uma característica que diferencia o esporte de grande parte da economia digital.

A inteligência artificial consegue produzir textos, imagens, vídeos e outros conteúdos em uma velocidade e escala cada vez maiores.

Quanto mais conteúdo é produzido, entretanto, maior pode ser a dificuldade de capturar a atenção das pessoas.

O esporte possui uma característica diferente.

Um jogo tem horário definido, acontece diante de uma audiência simultânea e envolve milhões de pessoas que compartilham a mesma experiência.

Além disso, grandes franquias possuem décadas de história e relações emocionais com seus torcedores.

Essa combinação cria um tipo de escassez que não pode ser reproduzido simplesmente aumentando a capacidade computacional.

É nesse sentido que surge a ideia de que o esporte pode funcionar como uma espécie de “antídoto à IA”.

Não porque esteja protegido contra a tecnologia, mas porque seu valor está justamente em elementos humanos e coletivos que a automação não consegue simplesmente fabricar.

O esporte como ativo cultural

Uma franquia esportiva não é apenas uma empresa.

Ela também pode representar uma cidade, uma região, uma geração ou uma identidade compartilhada por milhões de pessoas.

Essa característica ajuda a explicar por que investidores interessados em ativos de longo prazo estão olhando cada vez mais para o esporte.

A estratégia da Thrive Eternal, por exemplo, parte da ideia de manter determinados ativos por décadas, em vez de comprá-los com o objetivo imediato de revendê-los.

Nesse modelo, uma franquia esportiva pode ser analisada não apenas pela receita atual, mas também pela capacidade de preservar relevância cultural ao longo do tempo.

O proprietário esportivo está se transformando

A entrada de novos investidores também representa uma mudança no perfil dos donos das grandes equipes.

Durante décadas, muitas franquias permaneceram ligadas a famílias ou empresários diretamente envolvidos com suas comunidades.

Com o crescimento dos mercados financeiros, private equity e fundos de investimento, as equipes passaram progressivamente a ser tratadas também como ativos financeiros de grande valor.

Agora, investidores oriundos da tecnologia acrescentam uma nova camada a esse processo.

A pergunta passa a ser até que ponto uma franquia pode funcionar simultaneamente como empresa, ativo financeiro e patrimônio cultural.

Esse equilíbrio pode se tornar um dos grandes desafios da indústria esportiva nas próximas décadas.

A nova corrida também chegou à NFL

O movimento não está restrito à NBA.

Um grupo liderado por Vinod Khosla, investidor de tecnologia e inteligência artificial, avançou na aquisição do Seattle Seahawks, da NFL, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 9,6 bilhões, segundo informações citadas na reportagem.

Khosla é conhecido por ter realizado um investimento inicial de aproximadamente US$ 50 milhões na OpenAI em 2019.

A comparação entre os dois investimentos ilustra a dimensão alcançada pelos valuations esportivos.

A compra dos Seahawks representa quase 192 vezes o valor daquele investimento inicial na OpenAI.

Embora sejam ativos completamente diferentes, os movimentos mostram como investidores que construíram patrimônio apostando em transformações tecnológicas estão agora direcionando capital para propriedades esportivas de escala global.

O desafio do valuation

O crescimento dos preços das franquias também levanta questionamentos sobre seus valuations.

Os Lakers, por exemplo, foram avaliados em cerca de US$ 10 bilhões em uma transação anterior e agora aparecem em uma operação de aproximadamente US$ 12,5 bilhões.

Parte importante desse valor está relacionada ao potencial de geração de receitas com mídia, patrocínios, publicidade, produtos e experiências.

O problema é que o modelo tradicional de distribuição esportiva também está passando por transformação.

A queda da televisão por assinatura e a expansão do streaming obrigam ligas e equipes a repensarem como seus direitos de mídia serão comercializados.

A inteligência artificial adiciona outra variável: ela pode reduzir o custo de produção de conteúdo, mas também pode aumentar brutalmente a quantidade de conteúdo disponível.

Nesse cenário, possuir uma marca capaz de reunir milhões de pessoas em torno de um acontecimento real pode adquirir importância ainda maior.

Uma nova fronteira para os investidores

A entrada dos chamados “absolutistas da IA” no esporte representa, portanto, mais do que uma simples mudança de proprietários.

Ela revela uma possível mudança na forma como grandes fortunas tecnológicas enxergam ativos culturais.

Enquanto a inteligência artificial promete tornar diversos produtos e serviços mais eficientes, rápidos e baratos, franquias esportivas continuam baseadas em elementos que dependem de pessoas reais, histórias reais e comunidades reais.

O paradoxo é justamente esse: os investidores que apostam na tecnologia capaz de automatizar uma parcela crescente da economia estão comprando ativos cujo valor depende, em grande medida, daquilo que não pode ser automatizado — paixão, identidade, comunidade e pertencimento.

A venda dos Lakers pode, assim, ser interpretada como mais um capítulo da transformação do esporte em uma classe global de ativos. E, para os grandes investidores da tecnologia, essa corrida pode estar apenas começando.

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