Montante mais que dobrou em relação ao ano anterior, enquanto instituição busca ampliar participação de investidores privados em projetos de países em desenvolvimento
O Banco Mundial informou nesta quinta-feira (17) que mobilizou US$ 112 bilhões em capital privado durante o ano fiscal encerrado em junho de 2026.
O valor representa um aumento significativo em relação aos US$ 69 bilhões registrados no ano fiscal anterior e mais que triplica o montante contabilizado em 2022, antes da chegada de Ajay Banga à presidência da instituição.
Além dos recursos privados, o Banco Mundial destinou US$ 123 bilhões de seus próprios recursos no período. Somados, os valores chegam a aproximadamente US$ 235 bilhões destinados a projetos.
A instituição trabalha na padronização e estruturação de empréstimos para facilitar a entrada de grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e gestoras de ativos.
Segundo Ajay Banga, o objetivo é ampliar a mobilização de capital privado para mais de US$ 200 bilhões por ano nos próximos dois a três anos.
A estratégia busca aproximar o capital privado de projetos em economias em desenvolvimento, que enfrentam dificuldades para financiar áreas como infraestrutura, transição energética, educação, saúde e agricultura.
O mercado global de capital institucional administrado ultrapassa US$ 280 trilhões, segundo dados citados na reportagem.
Historicamente, entre 5% e 8% desse capital é direcionado às economias em desenvolvimento.
Entre os obstáculos para ampliar esses investimentos estão a incerteza regulatória, riscos políticos e dificuldades relacionadas às moedas locais.
Desde que assumiu a presidência da instituição, em 2023, Banga colocou a mobilização de recursos privados entre as prioridades do Banco Mundial.
Entre as medidas adotadas está a simplificação da estrutura de atendimento aos países. A instituição passou a concentrar o relacionamento em um único gerente por país, reduzindo a necessidade de interação com diferentes unidades do grupo.
O Banco Mundial também estreitou a cooperação com instituições de desenvolvimento e reduziu o tempo médio de aprovação de projetos de mais de um ano para cerca de nove meses. Projetos considerados mais simples podem ser aprovados em períodos ainda menores.
Segundo Banga, cerca de 40% dos empréstimos do Banco Mundial no último ano fiscal foram destinados à infraestrutura.
Outros 26% foram direcionados a projetos relacionados a reformas regulatórias.
A instituição também destaca que países mutuários têm demonstrado interesse crescente em atrair investimentos privados como alternativa à dependência de ajuda externa.
Para ampliar esse fluxo, os países precisam avançar em áreas como infraestrutura, arrecadação e reformas regulatórias.
Os dados apresentados pelo Banco Mundial indicam que os fluxos de capital privado aumentaram de forma significativa para países de renda média-baixa e média-alta, além de registrarem crescimento em diferentes regiões da África.
Nos países de baixa renda, entretanto, os fluxos permaneceram relativamente estáveis.
A estratégia do Banco Mundial busca ampliar a participação do setor privado no financiamento do desenvolvimento, utilizando seus próprios recursos e mecanismos de estruturação para reduzir obstáculos e atrair investidores institucionais para projetos de maior escala.
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