Itaú se destaca pela rentabilidade e controle do crédito, enquanto Bradesco enfrenta aumento da inadimplência e Santander decepciona; Banco do Brasil é o próximo foco do mercado.
Os resultados do segundo trimestre de 2026 dos grandes bancos brasileiros evidenciaram que o ambiente de juros elevados, crédito mais caro e aumento da inadimplência tem afetado as instituições de maneiras diferentes.
A manutenção da Selic em patamar elevado por um período prolongado tem pressionado empresas e consumidores, aumentando o custo de financiamento e os riscos de inadimplência. Ao mesmo tempo, as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e ao ambiente geopolítico adicionam volatilidade aos mercados e dificultam uma trajetória mais rápida de cortes de juros pelo Banco Central.
Nesse cenário, os balanços de Itaú, Bradesco e Santander apresentaram diferenças importantes em rentabilidade, qualidade da carteira de crédito e nível de provisões. Agora, a atenção do mercado se volta para o Banco do Brasil, que divulga seus resultados na quarta-feira (12).
Entre os grandes bancos privados, o Itaú apresentou o desempenho mais consistente no trimestre.
O banco registrou lucro líquido de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ROAE, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido médio, ficou em 24,3%.
A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,52 trilhão, crescimento de 9,6% em 12 meses.
Um dos principais destaques foi o controle da inadimplência. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, demonstrando estabilidade na qualidade da carteira.
O principal ponto de atenção ficou relacionado às receitas de serviços e seguros, cujo guidance foi reduzido. A pressão foi associada, entre outros fatores, à maior volatilidade do mercado de capitais.
Apesar disso, a reação do mercado indicou que o ajuste foi interpretado mais como um fator pontual do que como uma mudança estrutural na trajetória do banco.
O Bradesco apresentou o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.
O resultado chegou a R$ 7,05 bilhões, alta de 16% na comparação anual. O ROAE ficou em 16,2%, enquanto a margem financeira líquida, ou NII, avançou 15,7%.
As despesas operacionais também permaneceram sob controle, com crescimento de apenas 3,4%.
Apesar dos números positivos, a qualidade da carteira de crédito chamou atenção.
A inadimplência subiu para 4,3%, enquanto o volume de operações classificadas no Stage 2 avançou para 5,5%. Ao mesmo tempo, o índice de cobertura recuou para 152%.
O cenário provocou uma avaliação dividida entre os analistas. Enquanto parte do mercado mantém uma visão mais otimista diante da evolução dos resultados, outros demonstram preocupação com a deterioração do crédito e com a necessidade de maiores provisões.
O resultado do Santander Brasil apresentou uma dinâmica diferente.
O banco registrou lucro de R$ 3,01 bilhões, queda de 17,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 20,4% na comparação trimestral.
O retorno sobre o patrimônio líquido caiu de 16,4% para 12,5%, enquanto as provisões cresceram 20,6% em relação ao trimestre anterior.
Apesar de a inadimplência ter permanecido relativamente comportada, a combinação de menor lucro, queda da rentabilidade e aumento das provisões pesou sobre a avaliação do balanço.
A ausência de uma direção estratégica mais clara sob o novo comando também aparece como um ponto de atenção para os investidores, especialmente diante da dificuldade crescente para alcançar uma meta de ROE de 20%.
Com os resultados dos principais bancos privados já divulgados, o mercado agora concentra suas atenções no Banco do Brasil (BBAS3).
A instituição chega ao balanço do segundo trimestre carregando preocupações relacionadas principalmente à exposição ao agronegócio, segmento que representa simultaneamente uma das principais vantagens competitivas do banco e uma fonte relevante de risco.
No primeiro trimestre, a inadimplência do agronegócio chegou a 6,22%, acima dos 2,76% registrados um ano antes e dos 6,09% observados no quarto trimestre de 2025.
O desempenho anterior também foi desafiador. O lucro líquido ajustado caiu 53,5% na comparação anual, enquanto o banco reduziu sua projeção de superávit para 2026 para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Por isso, o balanço de quarta-feira será acompanhado principalmente em busca de sinais sobre a evolução da inadimplência, provisões e rentabilidade.
O Banco do Brasil apresenta uma combinação diferente daquela observada nos bancos privados.
Primeiro, as ações são consideradas descontadas em relação ao preço-justo utilizado na análise, com potencial de valorização estimado em 27,3%.
Segundo, o banco possui uma das maiores carteiras de crédito do sistema financeiro brasileiro, mas precisa demonstrar maior eficiência e controle da inadimplência para transformar essa escala em geração de valor para os acionistas.
Terceiro, o nível elevado de provisões e o ROE mais baixo indicam uma postura mais conservadora diante dos riscos de crédito, mas também evidenciam desafios para recuperar a rentabilidade.
Os resultados do segundo trimestre mostram que não existe uma única história para o setor bancário brasileiro.
O Itaú continua apresentando a combinação mais favorável entre rentabilidade, crescimento e controle da inadimplência. O Bradesco mostrou evolução operacional, mas precisa provar que consegue controlar a deterioração da carteira de crédito.
O Santander, por sua vez, enfrenta um cenário mais desafiador, marcado pela queda do lucro, redução do ROE e aumento das provisões.
Já o Banco do Brasil chega ao próximo balanço com uma tese que depende fortemente da capacidade de administrar os riscos associados ao agronegócio e recuperar a rentabilidade.
Com a Selic ainda elevada e o cenário macroeconômico cercado de incertezas, os próximos resultados deverão continuar sendo importantes para determinar quais bancos conseguem preservar margens, controlar o crédito e entregar retorno aos acionistas.
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